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Nesta época, nascia o filho bastardo. Não era filho de José, mas sim de Deus. E quem poderia acreditar nisso? Se acontecesse nos dias de hoje, a mesma crucificação ocorreria. A alma imoral e revolucionária, levou aquele corpo menino e bastardo ao maior dos sofrimentos. E aquele corpo menino e bastardo se transformou na glória. A alma. Esta continua a mesma. Imoral, transgressora, revolucionária. Ela fala de amor num mundo onde só existem flashes deste sentimento. Pode ter sido há 2009 anos atrás. Poderia ter sido agora. Mas estas palavras são sempre necessárias. “Ame o próximo como a ti mesmo.” Mas como poderemos amar a nós mesmos se o costume e a sociedade impuseram regras de como ser mais bonito, de como ser mais inteligente, de como ser um vencedor? Nós poderemos amar a nós mesmos fazendo dessas regras um parâmetro, mas não uma lei. Porque a lei pode ser justa e eficiente para uns, mas para outros ela é cega. Que o bastardo que também existe em você, não só de corpo mas de alma, aquela alma imoral, transgressora e revolucionária, possa te levar mais além do que os olhos vêem, fazendo com que você saiba exatamente ser revolucionário, transgressor e imoral no momento certo. Quem sabe, daqui a alguns anos, não estaremos celebrando a vida de um outro bastardo que possa deixar novos ensinamentos para o mundo. Feliz Natal! Postado por Alma Collins às 07h55 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]()
O desmatamento da Amazônia, miragem econômica para os brasileirosJean-Pierre Langellier No Rio de Janeiro (Brasil) Não só o desmatamento progressivo da Amazônia tem consequências nefastas para o meio ambiente do Brasil e do planeta, como ele também não beneficia, a médio prazo, do ponto de vista econômico e humano, as populações que participam dele ou que o acompanham, ao se estabelecerem nas regiões desflorestadas. É essa a conclusão essencial de um estudo de campo conduzido por uma equipe internacional de seis pesquisadores e publicada pela revista americana "Science". Segundo os autores da pesquisa, o desflorestamento leva, em um estágio inicial, a uma melhora de vida das populações locais, que se reflete no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice, adotado pela ONU, é calculado a partir de três critérios: a expectativa de vida, o nível de renda e a taxa de alfabetização. Ele progride tão rápido quanto a média nacional brasileira, ou até mais, ao longo da fronteira do desflorestamento. Mas, à medida que essa fronteira se desloca, os progressos do desenvolvimento humano diminuem: este último encontra nas regiões já desflorestadas um nível comparável - e baixo - àquele registrado nas zonas não desflorestadas. O desmatamento e a extensão da agricultura e da pecuária às custas da floresta atraem para a fronteira "migrantes" de toda espécie - grandes fazendeiros, pequenos "colonos", camponeses sem-terra, madeireiros, comerciantes, garimpeiros - em busca de lucro ou simplesmente de uma vida melhor. A chegada desses brasileiros, menos pobres que a população local, contribui parcialmente para os progressos do IDH. Mas muitos deles também são mais pobres e menos instruídos que a média nacional. O boom do desenvolvimento se deve então, sobretudo, à exploração dos recursos naturais, facilitada por um melhor escoamento dos produtos graças às novas estradas asfaltadas, e à implantação da rede governamental de educação e saúde. No entanto, esses progressos são efêmeros. O IDH cai rapidamente nas localidades das regiões desflorestadas, de acordo com o declínio de produtividade das atividades econômicas causado, por exemplo, pelo esgotamento dos recursos madeireiros ou pela degradação dos pastos. O estudo lembra que, no início dos anos 1990, mais de 75% das terras desflorestadas na Amazônia eram dedicadas à pecuária, e mais de um terço já foram abandonadas. Essa pesquisa foi realizada em 286 municípios, em estágios diversos de desmatamento, que representam a imensa maioria do território e da população amazônica. Ela termina em 2000, ano dos últimos números de recenseamento conhecidos. Conclusão do estudo: "O atual modo de desenvolvimento da Amazônia está muito longe do desejável, seja para os homens, seja para a natureza". O que fazer? "É preciso combinar as abordagens", explica uma das autoras do estudo, Ana Rodrigues, do Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva no CNRS de Montpellier. "Valorizar mais as regiões desflorestadas. E, sobretudo, reduzir o desmatamento, promover o reflorestamento nas zonas degradadas, incentivar as populações florestais a conduzirem atividades de desenvolvimento sustentável". Por exemplo, remunerando os serviços voltados ao ecossistema pelos habitantes da floresta, como se começa a fazer no Brasil. Lista de multinacionais Em um relatório recente, o Greenpeace destacou que a pecuária intensiva de bovinos é responsável por 80% do desflorestamento. Segundo a organização ecologista, "no decorrer dos últimos anos, um hectare de floresta foi destruído a cada 18 segundos em média pelos criadores de gado". O Brasil se tornou o principal exportador de carne bovina, com um terço da tonelagem mundial. O Greenpeace critica o governo por incentivar a pecuária, ao ajudar financeiramente as grandes empresas do setor e fechar os olhos para as explorações ilegais. Ele cita uma longa lista de multinacionais, compradoras de produtos provenientes de explorações envolvidas no desflorestamento ilícito. Um intenso debate opõe atualmente ecologistas e exploradores rurais a respeito de um projeto de lei prestes a ser votado sobre a regularização fundiária na Amazônia. Em princípio - dar uma garantia jurídica aos agricultores, especialmente os mais vulneráveis - , o texto obtém unanimidade em seu favor. Mas os ecologistas, que têm o apoio do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, acusam os parlamentares de terem distorcido o projeto ao introduzirem diversas cláusulas consideradas favoráveis demais ao agronegócio. O ministro espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decida em seu favor. Tradução: Lana Lim Postado por Alma Collins às 08h23 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]()
Certamente não estamos sozinhos no universoChristoph Seidler Caça aos alienígenas A humanidade vem buscando vida inteligente no universo há décadas. Um dos líderes desta pesquisa é Frank Drake. Em uma entrevista com o Spiegel Online, ele disse que a televisão pode ser o primeiro gosto que os alienígenas terão da vida na Terra. Isso "é assustador", diz ele. Após pesquisar por décadas, nenhum sinal extraterrestre foi encontrado. Estaremos sozinhos no universo? Drake: Certamente não estamos sozinhos. Ao mesmo tempo, acho que será muito difícil encontrar extraterrestres. Se eles forem ligeiramente mais avançados que nós, podem estar usando tecnologias que não os revelam. Não porque estejam tentando se esconder, mas pelo fato que as evidências que poderíamos encontrar de extraterrestres teriam que vir de alguma forma de dispersão de energia. Se forem espertos, estarão usando tecnologias que não desperdiçam energia. O projeto Seti, porém, está buscando sinais de rádio de outros mundos. Isso significa que, se algo for encontrado, será de civilizações que não estão terrivelmente avançadas? Drake: Uma civilização é detectável por ondas de rádio por um curto período, talvez 100 ou 200 anos. Isso significa que civilizações primitivas como a nossa são as mais fáceis de detectar. Gastamos muito. Quase toda a energia que enviamos com rádio-transmissores para nossos sistemas de televisão, por exemplo, não vai para a Terra. Nem chega à Terra, simplesmente sai para o espaço. Isso significa que a primeira coisa que os extraterrestres verão de nós serão as séries de televisão. Drake: Isso é muito assustador. Particularmente à noite, com tantos programas de crime, violência, sangue e tudo isso. Esse é um retrato realmente pouco acurado de nossa civilização. E, no ano passado, enviamos até um comercial de salgados de milho. Drake: Fizemos isso? Eu não sabia! Acho que é um desperdício estúpido de recursos. Não faz sentido, de forma alguma. Como os extraterrestres comprariam nossos salgadinhos? E se o primeiro sinal extraterrestre que recebermos na Terra for de um comercial cósmico? Drake: De fato, um dos meus piores pesadelos é que encontramos um sinal e é de uma propaganda de um culto religioso. Por que isso seria um pesadelo? Drake: Quero saber mais sobre uma civilização do que sua crença no sobrenatural. A religião é uma parte importante da cultura, mas talvez não ajude a melhorar a qualidade de vida em uma civilização. Talvez a religião deles seja muito boa, mas duvido. Parece que o senhor não é religioso. Drake: Não sou uma pessoa religiosa. A humanidade dedica recursos suficientes à busca de vida extraterrestre? Drake: Não há limites para os recursos que podemos usar. Temos uma tecnologia que basicamente não pode ser melhorada. Mas precisamos mais dela. Temos que pesquisar milhões de estrelas, milhões de frequências. E talvez tenhamos que fazê-lo várias vezes, porque podem não transmitir o tempo todo. Tudo é uma questão de dinheiro. Por exemplo, na Alemanha, você tem belos rádio-telescópios, mas eles nunca foram usados para o Seti. Os rádio-astrônomos têm medo de ser criticados pelo governo. Ninguém quer que seu patrocínio seja cortado por investir fundos públicos em um projeto que pode parecer duvidoso. O entusiasmo público parece ter um papel importante. No projeto seti@home, indivíduos doam parte de sua capacidade de computação para a busca de vida extraterrestre. Drake: De fato, temos 280 mil participantes ativos. Recentemente, os números caíram um pouco. Talvez tenha a ver com a recessão. Quando se pode realisticamente esperar encontrar o primeiro sinal? Drake: O projeto é muito similar a um jogo de sorte - detesto descrevê-lo assim. É como jogar na loteria. Você sabe que, em uma busca de dez minutos, suas chances de sucesso talvez sejam uma em dez milhões. Mas pode acontecer na análise seguinte. Muitas pessoas que trabalham para o seti@home são jogadoras. As apostas são gratuitas, você não tem que pagar nada. Mas se você vencer, ganhará muito. Nos anos 70, o chamado "Sinal Wow" foi detectado. Por um curto tempo, a humanidade pensou ter ouvido extraterrestres pela primeira vez. Drake: Eu nunca pensei isso. Tinha bastante certeza que era um artefato. Então, o que era? Drake: Simplesmente não sabemos. As pessoas passaram centenas e centenas de horas buscando no mesmo local na mesma frequência. E nunca mais foi encontrado. Se você ouvir um sinal apenas uma vez, não é uma descoberta conclusiva. Você tem que ouvi-lo várias vezes. Mas quando a humanidade enviou uma mensagem para o espaço, enviou apenas uma vez, no que ficou conhecido como "código Arecibo". Drake: Oficialmente, enviamos apenas uma vez, por três minutos. O sinal tinha informações codificadas, que acho que seriam rapidamente reconhecidas por especialistas em outros mundos. Mas no dia antes da cerimônia oficial, transmitimos a mensagem por horas para praticar. O único problema era que a antena do telescópio Arecibo não estava se movendo. Então muitas estrelas receberam 12 segundos de mensagem, ou seja 120 caracteres. Mensagens para o espaço como a transmissão Arecibo ou as naves "Pioneer" e "Voyager" foram criticadas por serem centradas demais nos humanos. O senhor gostaria de reescrever as mensagens? Drake: Eu ainda as centraria nos humanos. Talvez seja narcisista, mas acreditamos que este seria o interesse dos extraterrestres. Não querem saber como são nossos cães. Querem saber como são os humanos. Tivemos muitas discussões se deveríamos apresentar nossa melhor imagem - ou uma imagem realista. Decidimos por uma ideal. Algumas pessoas argumentam que não é uma ideia muito boa alertar outras civilizações sobre nossa existência. Drake: Existem pessoas paranóicas que acreditam que eles virão nos atacar. Mas esse é um argumento falho. Com nossas transmissões regulares, revelamos muitos detalhes de nós mesmo. Qualquer coisa que enviamos intencionalmente é apenas uma pequena adição a uma grande cacofonia de sinais que foram enviados. Devemos ter medo de alguma forma de invasão cósmica? Drake: Em média, qualquer civilização extraterrestre estará a 100 anos luz de distância daqui. Não haverá benefício em nos atacar. Custará muito caro lançar um ataque sério. Então não precisamos nos preocupar. Mas como o senhor pode ter certeza que as civilizações alienígenas são de fato pacíficas? Drake: De fato, quando uma civilização tem a tecnologia para se fazer conhecer, também tem energia nuclear e armas nucleares. E com tais armas você sempre está suscetível a um louco que aperta o botão vermelho. Mas tenho certeza que qualquer civilização que encontremos terá evitado o cenário do homem louco. Terão passado por este funil da história e serão criaturas não-agressivas. Como poderiam ser as formas de vida alienígenas? Drake: Acho que é muito provável que essas formas de vida sejam baseadas em carbono. Em geral, pensamos nos extraterrestres parecidos conosco, mas isso é porque não sabemos no que mais pensar. Com televisão digital, satélites e redes óticas, a humanidade na Terra se torna menos detectável para os extraterrestres. Deveríamos enviar sinais intencionalmente para alertá-los que estamos aqui - e não nos matamos nesse ínterim? Drake: Nos próximos anos, alguns dos principais sinais de nossa existência vão sumir. E não serão substituídos - ao menos não num futuro previsível - por algo igualmente bom para revelar nossa presença. Mas enviar sinais intencionalmente neste momento seria um desperdício de recursos. Ainda somos detectáveis por causa de nossas transmissões de rádio. E será assim pelos próximos 50 anos. Depois disso, poderemos pensar em construir rádio-transmissores de energia solar. O custo das operações serão zero quando essas coisas forem construídas. Tradução: Deborah Weinberg
Postado por Alma Collins às 07h45 AM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]()
Postado por Alma Collins às 04h54 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]() Postado por Alma Collins às 07h29 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]()
IMIGRANTES
De carro, barco, ou avião Vês distante tua terra Se afastando ao longe Tentativa Esperança Nada mais resta do que era teu Uma nova terra te empresta Aquilo que se perdeu Diferenças De gente, de língua, de costume Mas não queres ficar impune Sem a felicidade tentar E a dignidade resgatar O que tua terra não pôde te dar Procuras em outro lugar. Alma Collins Postado por Alma Collins às 09h32 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]()
A conta por trás do clima: falta água no HimalaiaAna Gabriela Rojas Em Nova Déli As geleiras do Himalaia retrocedem mais depressa que em qualquer outro lugar do planeta. Aldeias indianas já relatam problemas de abastecimento No teto do mundo a água para beber escasseia. "Temos problemas de água potável. Os riachos que antes eram constantes agora trazem mais água algumas vezes e em outras estão secos. Não sabemos quando semear, porque as chuvas não vêm mais com precisão. Estamos à deriva, sem saber o que vai acontecer", explicou Skarma Dachen, uma agricultora de Ladakh, no Himalaia indiano. Os efeitos do aquecimento climático começam a se fazer notar. As plantações se perdem devido a secas extremas, e os habitantes sofrem chuvas inconstantes e o derretimento das geleiras. "Até alguns anos atrás as montanhas ficavam totalmente cobertas de branco durante o inverno, agora só algumas têm neve na ponta", afirma Skarma. As geleiras do Himalaia estão sem dúvida retrocedendo. Mas faltam estudos científicos precisos que analisem com que rapidez e qual é o efeito real provocado pela mudança climática, concordam os especialistas. De fato, na Índia se iniciou um grande debate antes da cúpula de Copenhague por conta das declarações do ministro do Meio Ambiente, Jairam Ramesh, que afirmou que "não há evidência científica conclusiva que relacione o aquecimento global ao que está acontecendo nas geleiras do Himalaia". Depois ele retificou. Data "alarmista" O Painel Internacional sobre Mudança Climática (IPCC na sigla em inglês) adverte que as geleiras do Himalaia estão retrocedendo mais rapidamente do que em qualquer outra parte do mundo, e poderão desaparecer completamente até 2035. Essa data foi discutida por especialistas em geleiras e considerada "alarmista" por alguns. Mas organizações como o prestigioso Serviço de Monitoramento das Geleiras do Mundo (WGMS na sigla em inglês), apoiado pela ONU, admite que "as geleiras do Himalaia, em sua maioria, estão em rápido e substancial recuo"; embora afirme que não é provável que cheguem a desaparecer completamente nas próximas décadas. Essas geleiras têm a maior concentração de gelo fora dos polos, cerca de 12 mil quilômetros cúbicos de água. Na parte indiana há 40 geleiras, segundo um inventário do governo. Esses rios de gelo são uma reserva natural de água doce, que derretem naturalmente. Mas agora estão se fundindo tão rápido - sobretudo os menores - que não se recuperam com a neve que cai no inverno, também escassa. E o degelo poderia causar desastres, porque as represas naturais que se formam com as geleiras, se receberem água muito rapidamente, poderão se romper de modo imprevisto e soltar seu caudal em tromba, arrasando infraestruturas e causando danos em casas e plantações, no mínimo. As geleiras são a fonte dos três rios mais importantes desta parte do subcontinente: o Indo, o Ganges e o Bramaputra, dos quais dependem centenas de milhões de pessoas na Índia, no Paquistão e em Bangladesh. "As geleiras são especialmente vulneráveis ao aumento da temperatura. A construção de represas, o desflorestamento e as chuvas erráticas estão provocando uma terrível falta de água nas comunidades", explica Vinod Bhatt, responsável pelo estudo "A Mudança Climática no Terceiro Polo: O impacto da instabilidade do clima nos ecossistemas e comunidades dos Himalaias". "A falta de água é o maior problema hoje nas montanhas. As chuvas são muito instáveis. Talvez haja o mesmo volume de água, mas não está bem distribuída e as estações mudaram: um mês a mais de verão e um a menos de inverno", explica Bhatt, da prestigiosa ONG Navdanya, comandada pela reconhecida ambientalista indiana Vandana Shiva. O estudo, elaborado em 165 aldeias de três estados da Índia, revela que na última década 280 de 809 mananciais antes perenes já se tornaram temporários ou secaram completamente. Dos 321 que manavam em temporadas, 144 secaram e pouco mais de um terço dos 324 riachos permanentes agora só correm em temporadas. A miséria espreita. Jasodha Devi, de uma aldeia chamada Kanda Mandakini, conta que sua família só tem 40 litros de água por dia (na Espanha há 339 litros por habitante/dia, segundo o INE), que transportam em mulas, e que podem se banhar e lavar roupa somente a cada dez dias. "Não podia ver nossas vacas e búfalos morrerem de sede, por isso os vendi barato por 3.000 rupias (cerca de 43 euros)." Indira Devi diz que sua colheita de batatas fracassou por falta de água. "Só Deus pode nos salvar agora, porque depois de tão longa seca não há forragem." Outros se surpreendem com a pouca chuva e neve que caem - a monção deste ano foi a que teve menos água em quase 40 anos. "O caminho para nossa aldeia permanecia fechado no inverno por causa da neve, mas nos últimos anos fica aberto o inverno todo", lembra o ancião Jaspal Singh, de uma aldeia de Poghta, em Uttarakhand. Tiveram de mudar de cultivos e, por exemplo, as maçãs agora são colhidas em maiores altitudes. Alguns perderam seu gado ou o venderam barato por falta de água e forragem. Também está se perdendo a fauna, como o urso ou o leopardo da neve. Além da diminuição das geleiras, a Índia enfrenta o aumento do mar que cobre algumas ilhas dos Sunderbans, próximas da fronteira com Bangladesh, ou ameaça cidades como Calcutá e Mumbai. O ministro do Meio Ambiente admite que é um problema importante e que devem trabalhar para combatê-lo. No entanto, ele se nega a assinar um pacto vinculatório de redução de suas emissões (4% do dióxido de carbono mundial). Mas aceitou que a Índia diminuirá a intensidade das emissões entre 20% e 25% até 2020. Por enquanto, os ambientalistas do subcontinente estão de acordo com essa promessa. "Obviamente poderíamos fazer mais, mas é um bom primeiro passo", afirma o porta-voz do Greenpeace Ankur Ganguly. Índia: ponto de partida Emissões - Em 2006 (último ano com dados disponíveis) a Índia superou o Japão e se tornou o quarto emissor de gases do efeito estufa, atrás da China, EUA e Rússia. Seus 1.293 milhões de toneladas anuais de CO2 representam 4,4% do volume mundial. Posição em Copenhague - A Índia, assim como a China, ficou isenta de restringir suas emissões no Protocolo de Kioto. Mas isso vai mudar. O volume de gases produzidos faz que sua colaboração seja indispensável para conter o aquecimento, e o país está disposto a reduzir o aumento (não a diminuir as emissões) em 20% ou 25% do que cresceria se não tomasse medidas. O que está em jogo - O país é um continente e enfrenta todos os efeitos do aquecimento: aumento do nível do mar na costa, falta de água no sul e no centro, degelo nos cumes, fome, inundações e ondas de calor. Riscos demais para um país com 300 milhões de pobres. Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Postado por Alma Collins às 06h23 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]()
Em Dubai, a resignação dos últimos trabalhadores imigrantesJérôme Fenoglio Enviado especial a Dubai O canteiro de obras se parece com o deserto que o cerca. Entre as sinistras fileiras de pré-fabricados, empilhados sobre dois andares, nenhum sinal de vida fora o dos dromedários que andam junto às grades. Até que aparece o segurança, indiano. "Acabou", ele diz. "A obra foi fechada há três meses. Havia 1.500 pessoas aqui, da Índia, de Bangladesh, do Paquistão e da Turquia: todos voltaram para seus países". Mal viram as torres da cidade ao longe, eles deixaram Dubai. Primeiras vítimas da crise de um mundo do qual eram mantidos à distância. Nesse deserto, a mais de 50 quilômetros das extravagâncias da cidade, o emirado se imaginava um futuro centro do mundo. Em torno do aeroporto internacional Jebel Ali, em construção, zonas de empresas e bairros residenciais deveriam formar a Dubai World Central, nova cidade de 1 milhão de habitantes. O alojamento de trabalhadores havia sido instalado pela construtora turca Bay Tur que, em parceria com a BTP, braço da coreana Samsung, deveria construir aqui um palácio de exposições. Desse projeto, derrubado pelo estouro da bolha imobiliária, só resta uma imensa carcaça de aço, a algumas centenas de metros dos alojamentos abandonados pelos trabalhadores da Bay Tur. No canteiro de obras ao lado, que pertence à Samsung, três quartos dos funcionários também foram enviados de volta a suas casas. "Os diretores lhes disseram que os trariam de volta assim que as obras fossem retomadas", afirma, sem acreditar muito, um operário de Bangladesh. Aqueles que ficaram foram transferidos para outra obra delirante, a de Palm Jebel Ali. Para essa palmeira de areia, traçada nas águas do Golfo, o grupo coreano assinou um contrato com a Nakheel, a empresa que se complicou com seus projetos exagerados, causando o pedido de moratória sobre a dívida de sua matriz, a Dubai World. Mas os operários não se iludem: elo final da cadeia, eles também pagarão pelos excessos dessa empresa. "Em dois meses, no máximo, a obra também será interrompida", diz um deles. "Dizem que faz nove meses que a Nakheel não paga à Samsung". Entretanto, eles não se queixam: seu empregador continua a lhes pagar, as refeições não são descontadas de seus salários. Alguns esperam, após a dispensa, serem recolocados na última obra local da Samsung, em Abu Dhabi. A maioria, entretanto, conformada com a ideia de ter de voltar ao seu país, falam com inveja dos operários da construção do aeroporto, que continuarão a trabalhar. Estes se encontram a alguns quilômetros mais ao sul. Atrás de uma duna artificial aparece o equivalente a uma pequena cidade, totalmente composta por homens, esmagada pelo calor, pela miséria e pelo tédio. As fileiras de "labor camps" são entrecortadas por estacionamentos de caminhões ou depósitos de materiais, às vezes lojas de alimentos ou restaurantes instalados às pressas e algumas mesquitas de aço. Dezenas de milhares de operários do aeroporto vivem lá, em "caixas de morar" com ar condicionado que abrigam seis pessoas cada uma, com três beliches e cerca de 15 metros quadrados. Os salários variam de acordo com a obra. Na ETA Ascon, um grupo dos Emirados, um eletricista pode ganhar 1.400 dirhams (R$ 655) mensais, um encanador 1.200, dos quais é preciso descontar 160 dirhams de alimentação. Algumas reivindicações das greves de 2007 parecem ter sido ouvidas: em todos as obras visitadas, os operários são pagos por depósito bancário em suas contas, e podem utilizar um cartão. Mas em todos os lugares, desprezando as recomendações, os empregadores mantiveram o hábito de reter o passaporte dos trabalhadores. Estes só ficam com suas licenças de trabalho. E, ao contrário do que se acreditava na Samsung, a crise não poupou o pessoal do aeroporto. A obra teve seu ritmo consideravelmente diminuído nos últimos tempos. Um quarto dos alojamentos parece ter se esvaziado, entre os quais um dos maiores, que, segundo o segurança abrigava 3 mil pessoas antes de os contratos de trabalho serem bruscamente interrompidos, em fevereiro. Em um outro, quase insalubre, os salários não são pagos há quatro meses. "Só nos dão vales-alimentação", diz um operário filipino que espera pelo fim de seu contrato na esperança de encontrar um empregador melhor. Mais além, na beira da estrada, um homem agachado à sombra de um ônibus, que se recusa a revelar sua nacionalidade e seu empregador por medo de ser identificado, afirma que sua decisão está tomada: "Se eles fecharem a obra, farei de tudo para não voltar. Não posso. Minha família está esperando por presentes e dinheiro, e não ganhei quase nada". Ele se diz preparado para se juntar ao número cada vez maior de clandestinos que permanecem em Dubai sem permissão de trabalho. A maioria não teve escolha, pois não conseguiram recuperar seus documentos junto a seus empregadores. Muitos vivem de pequenos trabalhos com pessoas físicas, e, vulneráveis, se veem ainda mais explorados do que nos canteiros de obras. Tradução: Lana Lim Postado por Alma Collins às 10h43 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]() |
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