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Por que é melhor dar empréstimos para as mulheres

 Elas criam mais riqueza e são mais confiáveis que os homens

EL PAIS

Natalia Junquera

Ajudar mais a mulher dá melhores resultados, e a Espanha aderiu a essa doutrina com vontade de liderar a cooperação de gênero. Três décadas depois, a intuição de Muhammad Yunus, o homem que decidiu que 95% dos beneficiários de seu banco para pobres seriam mulheres, se transformou em um princípio universal que rege as políticas de ajuda ao desenvolvimento de organismos como a ONU ou o Banco Mundial: "Elas são melhores lutadoras contra a pobreza que os homens", afirma Yunus. A descoberta lhe valeu um Prêmio Nobel da Paz (2006) e a possibilidade de dizer, 30 anos depois, que conseguiu tirar da pobreza 6 milhões de pessoas.

"São as mais pobres entre os pobres. E estão desesperadas para cuidar adequadamente de seus filhos. Os homens não estão ao lado dos filhos em tempos de crise. Elas sim. Têm mais razões para sair da pobreza, seus filhos", afirma Yunus.

Sete em cada dez pessoas que têm fome atualmente no mundo são mulheres, segundo a ONU. Elas realizam mais de dois terços do trabalho não-remunerado, isto é, o equivalente a US$ 11 bilhões, segundo o Pnud, mas só recebem 10% das receitas e possuem 1% dos meios de produção. São as mais afetadas pela pobreza e ao mesmo tempo as que têm mais possibilidades de combatê-la, porque acima de tudo são administradores do lar, as que cuidam do bem-estar dos filhos, futuras gerações de pobres e analfabetos... ou não.

Quando Yunus implementou em 1976, com apenas US$ 27, sua idéia do banco para pobres, observou que a primeira coisa que as mulheres de Bangladesh faziam quando tinham renda era recuperar seus filhos das casas dos ricos onde os haviam deixado trabalhando em troca de comida. A segunda coisa era enviá-los para o colégio.

"A igualdade entre homens e mulheres é um fator fundamental para lutar de forma eficaz e sustentável contra a pobreza", diz a Declaração de Objetivos do Milênio da ONU. A Espanha pretende defender esse novo enfoque da ajuda ao desenvolvimento. A vice-primeira-ministra María Teresa Fernández de la Vega anunciou no terceiro Encontro Hispano-Africano de Mulheres que a Espanha promoverá a criação de um fundo de gênero na ONU para financiar políticas de igualdade. Nesta legislatura, o governo espanhol aumentou em 400% a cooperação destinada a mulheres e a Espanha já é o terceiro doador de microcréditos do mundo, atrás do Banco Mundial e da Alemanha.

"Elas são sempre as mais vulneráveis entre os vulneráveis. Mas, além disso, são a alavanca de mudança na maioria de países porque sua luta é pelos direitos de todos. São o motor do desenvolvimento porque delas dependem a alimentação e a educação de seus filhos. Não entendemos o desenvolvimento de um país sem igualdade de oportunidades. Por isso nos comprometemos a terminar a legislatura destinando 15% da ajuda ao desenvolvimento às mulheres. Já somos o primeiro doador da Unifem [Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher]", explica a secretária de Estado de Cooperação, Leire Pajín.

"Em quase todas as culturas as mulheres, especialmente as pobres, são cidadãs de segunda classe. Esse é o poder do microcrédito: põe o poder em forma de dinheiro diretamente nas mãos das mulheres", explica Sam Daley-Harris, diretor de um movimento de microfinanciamento do qual se beneficiaram 100 milhões de famílias pobres em todo o mundo.

"Quando o empréstimo entra em uma família através da mulher, os benefícios vão diretamente para o bem-estar de toda a família: as crianças vão para o colégio, comem melhor, o telhado é consertado... Quando se trata de um homem, há muitas possibilidades de que acabe em bebida", acrescentou Daley-Harris. A mesma tese é defendida por Rosahneh Zafar, discípula de Yunus e presidente da Fundação Kashf (milagre) de Bangladesh, com 260 mil beneficiárias de microcréditos: "Se uma mulher ganha um dólar, gasta 70% em sua família. Um homem lhe dedica 30%".

Zafar e Daley-Harris participaram na semana passada em Madri de uma conferência internacional sobre microcréditos organizada por Casa África e Casa Ásia no CaixaForum, que reuniu os sete responsáveis pelas entidades microfinanceiras mais importantes do mundo. Entre os sete, já tiraram da pobreza dezenas de milhões de pessoas -dezenas de milhões de milagres.

"Um dia o marido de Perveen não agüentou a pressão de ser incapaz de alimentar sua mulher e seus quatro filhos e se suicidou. Perveen percebeu que tinha duas opções: aceitar a caridade de seus vizinhos e depender para sempre dos outros, ou pedir um empréstimo e agir. Escolheu a segunda. Nunca tinha saído de casa. Hoje tem um negócio com o qual viaja constantemente e seus filhos recebem educação", lembra Zafar sobre uma cliente.

Mas a fórmula enfrenta o pior desafio de sua história: a alta do preço dos alimentos. "Se em cinco anos tiramos da pobreza 50 milhões de pessoas através de microcréditos, agora 25 milhões voltarão a ser pobres porque o preço de sua matéria-prima triplicou e suas receitas, não", lamentou Zafar. Yunus também não está otimista: "É muito grave. Representa uma pressão enorme sobre os mutuários, porque suas receitas aumentam pouco a pouco, mas o preço dos alimentos sobe muito rápido. Mas o pior é que não é algo passageiro".

A Espanha destina mais de 62% dos empréstimos do Fundo de Concessão de Microcréditos a mulheres. Muitas delas sozinhas. "Em Madagascar, por exemplo, muitos maridos foram embora e elas estão endividadas pela usura, que cobra juros de 100% ou 200%. Com os microcréditos, com pagamentos fracionados e pequenos, podem comprar arroz e fazer pastéis, vendê-los, aumentar suas receitas, incorporar os filhos à microempresa e poupar", explica Beatriz Morant, responsável pela área da África, Ásia e Europa do Leste da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid). "No Marrocos investimos 45 milhões de euros em microcréditos e as mulheres geraram mais do dobro com sua atividade." Do outro lado do telefone, Nezha Ouardi, uma das marroquinas beneficiadas, confirma: "Me deram 500 euros para montar um negócio de artesanato. Agora alguns de meus produtos são vendidos por 400. Consegui ajudar meus seis irmãos".

"O índice de inatividade nas mulheres é praticamente inexistente, porque a vida de seus filhos está em jogo. Eu vi um grupo levar adiante um povoado inteiro montando um negócio de venda de xampu", afirma Pilar Gómez-Acebo, presidente de honra da Federação de Mulheres Empresárias, envolvida em projetos de cooperação de gênero.

A garantia de êxito, segundo Manuel Cadarso, conselheiro técnico de microcréditos da Aecid, é que se trata de "uma cadeia de esforços": "O governo espanhol faz um esforço destinando fundos que em qualquer outro mercado obteriam maior rentabilidade. E a mulher que recebe o microcrédito faz um esforço maior para levar seu negócio em frente e conseguir devolvê-lo".

Guadalupe Ruiz, 40 anos, nascida em Chiapas, México, nunca pensou que ganharia mais que seu marido. Há um ano nem mesmo trabalhava. Ela e sua filha de 13 anos mal viviam com os 5 mil pesos (cerca de 300 euros) que ele, motorista, ganhava por mês. "Uma amiga que havia montado um negócio de venda de sapatos me falou sobre os microcréditos. Comecei com um de 5 mil pesos e acabam de me dar um de 20 mil [1.250 euros]. Montei um pequeno negócio de venda de roupas. Melhorei minha casa, paguei as dívidas de um terreno e acabo de ter um bebê. Nunca havia tido poupança!"

A Unicreich, entidade que concedeu o microcrédito a Guadalupe, administra 1 milhão de euros de cooperação espanhola para microcrédito em Chiapas, que tem 85% das beneficiárias mulheres. "Têm um baixo nível cultural, 10% não sabem ler nem escrever e muitas estão sós porque aqui há muita deserção familiar, por causa da imigração e principalmente problemas de violência familiar, alcoolismo...", explica Isabel Camacho, diretora da entidade.

No México, a Fundação Interamericana, financiada pelo governo dos EUA, vai implementar um projeto para ajudar mulheres cujos maridos emigraram em busca de uma vida melhor, deixando-as e a seus filhos à mercê de remessas nem sempre pontuais. "No início as recebem freqüentemente, mas depois começam a rarear. Muitas vezes seus maridos formam uma segunda família no país de imigração. Nosso projeto quer lhes oferecer apoio psicológico e ajuda para que montem microempresas e tenham suas próprias receitas", explica Marcy Kelly, responsável pela fundação no México.

O microcrédito é, entre as fórmulas de ajuda de cooperação de gênero, provavelmente a mais satisfatória. Os resultados aparecem em curto prazo e com muito pouco se costuma conseguir muito. A parte mais difícil e também a mais difusa é o que se batizou de "empoderamento" [do inglês "empowerment"] das mulheres. No caso da Espanha, apoiando associações femininas locais como Las Dignas; em El Salvador, contra a violência machista; "assessorando o governo peruano na elaboração de um plano de igualdade de oportunidades", explica Itziar González, diretora do escritório técnico de cooperação em Lima; ou favorecendo programas de saúde reprodutiva e planejamento familiar na África e na América Central.

Este último capítulo é chave. Nos países ricos o índice de natalidade é de "substituição", quer dizer, dois filhos. Nos países mais pobres chega a cinco ou mais, o que produz uma enorme pressão sobre os recursos alimentares, impede a nutrição adequada e a educação dos filhos e definitivamente cria uma nova geração ainda mais pobre. Jeffrey Sachs, o economista que percorreu o mundo assessorando economias em crise, chama isso de "armadilha demográfica". A armadilha que mergulha os países pobres em uma pobreza cada vez mais profunda.

Mas implantar esses programas não é fácil, conforme o país. "Esse trabalho deve partir da consciência que as próprias mulheres têm de seus direitos em cada país, para que não seja uma ingerência cultural", explica Juana Bengoa, porta-voz de gênero da Coordenadora de ONG de Desenvolvimento. De la Vega se declarou horrorizada depois de se hospedar com um homem e suas três mulheres no Níger. Mas o texto e o propósito do encontro, a Declaração de Niamey, foi assinada sem uma só palavra de condenação à poligamia.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves


Postado por Alma Collins às 10h23 PM
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REVERBERAR

 

 

Cristal que reverbera

Rever

Também pudera

A luz externa muda

Ou a escuridão profunda

Mas o reflexo do cristal

Emite

O que a estrutura de seus átomos

Permite

E quando não há mais nada a emitir

Tenta omitir

A dor no peito

Por não conseguir o feito

De com alegria existir

 

Alma Collins


Postado por Alma Collins às 08h31 AM
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Êxito econômico de Dubai esconde sistema de trabalho com características de escravidão
 
Andy Robinson

LA VANGUARDIA

Frustrado com suas dificuldades de comunicação verbal, um dos trabalhadores indianos que relatou suas experiências em Dubai na frente da unidade 32 do acampamento de expatriados de Sonapur, pegou minha caderneta e escreveu em inglês: "Dubai Mall, maior centro comercial do mundo. Ao lado de Burj Dubai, o edifício mais alto do mundo... 468". Ele não se referia aos metros já construídos do enorme arranha-céu de Dubai (já são 640), mas sim ao salário de um operário da construção: 468 dirhams, o equivalente a 90 euros por mês, sem incluir horas extras.

O operário aponta para o logotipo em seu macacão, da empresa emirado-britânica Dutco Balfour Beatty, que administra a obra do Dubai Mall, e mostra que o vale alimentação é no valor de 75 dirhams (14 euros). Com esse dinheiro, há seis meses atrás se podia comprar 60 quilos de arroz; agora, nem 20. "75 dirhams são três dias de alimentação num hotel de Dubai. Para os operários isso deve durar o mês todo!", disse, revelando que desconhece a outra Dubai, a de David Beckham e Posh Spice, e o suntuoso hotel Burj Al Arab, onde um robalo ao champanhe custa 360 dirhams.

As megatendências da economia mundial convergiram em Sonapur, um conjunto imenso de barracões no deserto, a 30 quilômetros do centro de Dubai onde cerca de 150 mil trabalhadores da Índia, Paquistão e Bangladesh se acomodam em dormitórios coletivos. O barril de petróleo a 130 dólares transformou Dubai e Abu Dhabi em pólos da construção, gerando emprego para cerca de 700 mil imigrantes. Mas a desvalorização do dólar - e do dirham, que oscila de acordo com a moeda americana - reduziu em 10% ou mais as remessas enviadas a seus familiares. O encarecimento dos alimentos básicos dizima o seu poder aquisitivo.

Em Sonapur - que significa cidade do ouro em hindu, mas que estava parcialmente inundada por um charco pestilento de esgoto durante a nossa visita -, o golpe econômico triplo se soma às marcas peculiares do feudalismo pós-moderno dos Emirados. Marcas que negam o direito de formar um sindicato, de fazer greve ou de mudar de empresa. "Quero sair da companhia, mas eles têm meu passaporte", disse Rajashwar, de 39 anos, eletricista de Madras. Ao assinar um contrato de trabalho, o imigrante quase sempre entrega seu passaporte à empresa e não pode recuperá-lo até que termine o contrato, em geral depois de dois anos. Muitos trabalhadores endividados para pagar sua passagem e documentação - e que chegam a dever até 3 mil dólares para traficantes - são, além disso, vítimas das empresas que com freqüência atrasam os pagamentos.

Ilhados nos acampamentos, sem transporte público, os trabalhadores só vêem as duas metrópoles do petrodólar do alto dos andaimes.

"Os táxis não param aqui", diz Yooosaf, paquistanês que é funcionário de armazém, cuja unidade está inundada. Indianos, paquistaneses e bengalis constituem quase 50% da população dos Emirados.

É uma situação desoladora. Mas na Índia e no Paquistão suas famílias têm problemas piores. O Banco Asiático de Desenvolvimento calcula que a cada aumento de 10% no preço dos alimentos básicos - sobretudo do arroz - agrega sete ou oito milhões aos 30 milhões de pobres do Paquistão. Por isso, os trabalhadores mandam o restante dos salários às suas famílias, tirando o que gastam com comida e transporte.

Os paradoxos se multiplicam em Sonapur. O motivo da imigração é a crise rural na Índia, resultante do aumento dos preços dos pesticidas que dispararam com a subida do petróleo. Essa crise causou uma epidemia de suicídios de camponeses (que ingerem pesticidas para se matar). O suicídio se transferiu para acampamentos como Sonapur. O consulado indiano crê que a cada quatro dias um imigrante se suicide.

O êxito da petroeconomia dos Emirados esconde do mundo um sistema de trabalho "com características de escravidão", diz Nick McGeehan, da ONG Mafiwasta, especializada em abusos aos trabalhadores nos Emirados. Multinacionais respeitáveis que operam em Dubai são responsáveis por esses abusos.

Cada vez há mais protestos. No ano passado, um grupo de trabalhadores fechou a ponte de acesso a Dubai por duas horas. Em março, cerca de 1,5 mil trabalhadores atearam fogo a ônibus da construtora norte-americana Drake & Skulle e 2,5 mil trabalhadores que construíam a torre Burj Dubai fizeram greve. Outros consideram deixar o país se as autoridades permitirem. Uma saída em massa de imigrantes criaria problemas para os Emirados.

O governo anunciou reformas que permitiriam alguns direitos sindicais. Mas McGeehan diz que "há um abismo gigantesco entre a retórica e a realidade".

A esse ponto, as construtoras ocidentais que lucram bastante no Golfo já se acostumaram ao modelo Dubai. Elas registram aumentos fabulosos de benefícios: Balfour Beatty teve lucros de 48% em 2007; a matriz da Drake and Scull Emcor, 186%. Ante à perspectiva de uma nova lei que proíbe que os operários trabalhem nas horas de sol forte - a mais de 50 graus -, a companhia européia Jan de Nul, que participa do megaprojeto da Saadiyat Island em Abu Dhabi (com os arquitetos Frank Gehry, Jean Nouvel ou Norman Foster), pediu uma isenção "para terminar a obra de acordo com o cronograma, para o bem do turismo e de Abu Dhabi".

Tradução: Eloise De Vylder


Postado por Alma Collins às 08h00 AM
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Sobre a tristeza

A definição de tristeza é a falta de alegria. É o aspecto revelador de mágoa ou aflição, melancolia.

Isso geralmente se deve a fatos inesperados, ocorridos em tempo presente. Mas serão tão inesperados assim? Geralmente a tristeza nos acompanha com a morte de um ente querido ou amigo. Ficamos tristes por perder a companhia que tanto nos agradava. Sentimos imediatamente saudades de um futuro que não vai mais acontecer. Já sabemos que podemos “ir” depois de pessoas do nosso convívio, mas por quê, quando isso acontece, nos choca tanto?

A tristeza também impera quando um amor se desfaz. Mais uma vez perdemos alguém que estava ao nosso lado. Outro fator para se ficar triste é a traição não só de cônjuges, como também de amigos ou pessoas nas quais confiamos e que, agora, nos decepcionaram.

Outro fator preponderante é a não realização de sonhos. Muitas vezes, pretende-se muita coisa. Sonhamos com os mais variados fatos, mas nem sempre os sonhos se realizam. E, geralmente, esses sonhos envolvem também outras pessoas, direta ou indiretamente. Se sonhamos com uma viagem perfeita, todo o ambiente para tal tem que estar em harmonia, não só das pessoas que irão nos levar para essa viagem como, até mesmo, o tempo (se chove ou está frio ou está muito quente). Sonhamos também com um emprego que nos dê melhores condições, não só financeiras, mas também nos dê prazer em trabalhar. Sonhamos com o companheiro ou companheira ideal, que nos complete. E por aí vai...

Estes são só alguns exemplos de como a tristeza acontece quando não se realiza o que queremos.

Mas já perceberam que sempre que a tristeza vem, seja por que motivo for, ou sonhos desfeitos ou não realizados, ou afastamento de pessoas, etc. Ela sempre aparece pelo fato de dependermos de condições externas para sermos felizes. Já perceberam isso?

Sempre dependemos de algo ou de alguém para sermos felizes. Se isto não acontece, ficamos tristes. Vocês podem dizer: “isto é a vida em sociedade”. Sim, tem razão. Mas quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Quero dizer, o que vem primeiro? A necessidade de se estar acompanhado e expressar amor num sentido disfarçado de posse? Pois se perdeu uma pessoa ou se desfez um sonho, foi uma coisa sua que se afastou de você. Ou será que vem primeiro o que a sociedade nos impôs de que a melhor maneira de se viver e de se expressar amor é estar sempre em companhia de outras pessoas, ou depender de outras pessoas para sermos felizes?

Realmente não sei o que nasceu primeiro. Concordo que o convívio faz bem, principalmente quando encontramos pessoas que se identificam conosco. Mas acho que há uma grande distância entre ser feliz porque se está com essas pessoas e ser feliz porque se esta bem consigo mesmo, não encarando a perda, seja lá como for, como uma obrigatoriedade de sentir tristeza.
Podemos ser felizes com nós mesmos. Isso gera um prazer imenso que só faz bem, não só a você mesmo, como também às possíveis pessoas que estão em sua volta.

Na hora que a tristeza te abater, pense bem. Seja feliz com você mesmo em primeiro lugar. As perdas, nós já sabemos que fazem parte da vida. Nós sabemos que isso acontece com todos nós. Falta-nos somente interiorizar este conceito e aceitar de maneira realista que a dependência para a felicidade não deve ser, exclusivamente, a dependência de fatores externos.

A vida fica mais leve se “cairmos na real” de que perdas podem estar presentes em qualquer hora da nossa vida.

Fique feliz com você! Aquilo que é externo, conseguimos driblar fazendo força para por um sorriso no rosto e respirando bem fundo. Nosso corpo se enche de novo ar e ativa a ignição para seguirmos em frente sem depender tanto do exterior. E você vai ver que consegue ser feliz.

Alma Collins


Postado por Alma Collins às 10h56 PM
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Postado por Alma Collins às 08h02 AM
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Loja alemã escreve livros encomendados pelos clientes

 

Sergio Correa
De Berlim para a BBC Mundo

BBC BRASIL

 

Em uma pequena loja de Berlim, na Alemanha, é possível encomendar livros nos quais o cliente é o personagem principal.

O que você gostaria mais? Uma história de amor, de detetives, de ficção científica ou de aventura? E que tipo de personagem você gostaria de ser? Um cavalheiro, uma rainha ou um astronauta? Quem sabe uma bruxa ou um vilão? Pergunta Michael Wäser a seus clientes.

Wäser e sua equipe de escritores escrevem histórias feitas sob medida de acordo com os desejos dos clientes: o cenário, a época, o estilo, o tema, o número e a personalidade dos personagens, tudo pode ser sugerido ou determinado pela pessoa que faz a encomenda.

Para ajudar os clientes a escolher, Wäser mostra um catálogo. Nele, estão narrações já prontas em todos os gêneros imagináveis, nas quais apenas o nome do cliente como protagonista é mudado.

Esses livros custam US$ 25. Já os escritos completamente sob medida custam US$ 260.

A maioria dos clientes da loja de histórias, encomenda os livros para dar de presente.

Mulheres e homens pedem romances nos quais aparecem com seus companheiros em expedições remotas, resolvem juntos complicados enigmas policiais ou lutam pelo amor um do outro em cenários medievais.

Também já fizemos histórias para grupos de velhos amigos, que queriam dar a um deles uma aventura conjunta, diz Wäser.

Os clientes também podem escolher a capa, o tipo de papel e o tipo de letra usados. No futuro, poderão também encomendar ilustrações originais.

A loja de histórias também escreve livros para empresas, como uma clínica médica ou um hotel. Para hotéis, escrevemos histórias que acontecem no local, onde todo o pessoal desfila como protagonista em salas de conferência, bares, quartos e restaurantes do lugar, conta Wäser.

A loja também oferece relatos falados. São histórias narrados por locutores profissionais, com efeitos sonoros e que são entregues ao comprador em um CD, como se fosse uma radionovela, por cerca de US$ 570.

A idéias de Michael Wäser virou um sucesso. A loja emprega dez escritores e se transformou em uma pequena fábrica de fantasias.


Postado por Alma Collins às 08h16 AM
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ALÉM DA MATURIDADE

 

As folhas secas

Já não sugam a seiva

É velha raiz

 

Alma Collins

 


Postado por Alma Collins às 07h27 AM
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ENTREVISTA / ANDREA CAMPERIO CIANI

O homossexualismo não vai contra a natureza

Geneticista diz que os genes que tornam homens mais propensos a se tornarem gays são transmitidos por suas mães

SE O HOMOSSEXUALISMO não estimula a reprodução, como ele pode sobreviver à seleção natural? A resposta para essa charada, um quebra-cabeça secular da biologia, está ganhando agora uma resposta coerente, que sobreviveu ao primeiro teste de lógica. Defendida pelo biólogo Andrea Ciani, a nova teoria indica que o homossexualismo masculino tem um componente genético herdado por parte de mãe, e os genes por trás dele são os mesmos que, em mulheres, estimulam a fertilidade.

RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL

FOLHA DE SÃO PAULO ONLINE

Ciani, geneticista da Universidade de Pádua (Itália), apresentou as bases da teoria na terça-feira -cifrada em um estudo cheio de fórmulas matemáticas- na revista "PLoS One".
Com longa experiência em estudos com macacos, o cientista tem se dedicado nos últimos anos a um outro tipo de primata: o Homo sapiens. O que ele aprendeu com seu trabalho? "O homossexualismo não é contra a natureza."
Em entrevista à Folha, Ciani abre mão da estatística e traduz o significado de sua teoria.

 


FOLHA - O que diz seu estudo?
ANDREA CAMPERIO CIANI -
Eu publiquei uma pesquisa em 2004 em que mostrei que homossexualismo em homens está conectado com um aumento na fertilidade das mães e avós da linhagem materna desse indivíduos. O que fiz agora nesse estudo para a "PLoS" foi desenvolver isso. Nós já sabíamos o que estava ocorrendo, mas não entendíamos a dinâmica, não tínhamos o modelo correto.

FOLHA - Como vocês criaram o modelo correto?
CIANI -
Nós procuramos modelos genéticos que já existiam [para explicar outras características] e seguimos quatro pré-requisitos empíricos. O primeiro é que o homossexualismo está presente em todas as populações humanas. O segundo, que não há nenhuma população em que a maioria das pessoas sejam homossexuais. O terceiro é aquele que tiramos de dados empíricos: que o homossexualismo tende a seguir em famílias pela linha materna. Isso significa que se você é homossexual, há uma probabilidade maior de o seu tio materno sê-lo. O quarto, que achamos em 2004, é que mães e tias da linha materna de homossexuais costumam ter proles maiores.
Na literatura científica há muitos modelos para difusão genética de características. Há modelos que testam a difusão com um único "locus" [gene], outros com mais genes. Quando começamos a testar os modelos com dois genes, todos falharam, exceto um, que é esse modelo da "seleção sexualmente antagonística", baseado em dois genes em dois diferentes cromossomos. Um tem que ser no cromossomo X -que os homens recebem apenas de suas mães-, e o outro pode ser nos cromossomos não sexuais. Só esse modelo explicou todos os pré-requisitos que encontramos empiricamente.
Foi uma coisa inesperada. É a primeira vez que um modelo de seleção sexualmente antagonística funciona para uma característica humana. O modelo mostra características peculiares, que dão uma vantagem reprodutiva para um sexo, e dão desvantagem para outro.
O normal é imaginar que um determinado gene dá vantagem para todas as pessoas que o carregam. Mas genes como esses ligados à homossexualidade humana dão vantagem quando estão em mulheres, porque as fazem produzir mais prole, mas ao mesmo tempo criam desvantagem reprodutiva em homens, com a possibilidade de se tornarem homossexuais.

FOLHA - Isso não pode ser causado por um fator social ou psicológico?
CIANI -
Nós estudamos apenas os componentes genéticos, mas não estou dizendo que o homossexualismo é determinado pelos genes. Ele é apenas influenciado. Há outros componentes, biológicos, psicossociais, experiência de vida...

FOLHA - Mas como ocorre essa influência? Como é a fisiologia?
CIANI -
Eu fiz uma pesquisa sobre isso. É muito difícil, porque tive que estudar mães e tias. Na Itália não é difícil entrevistar homossexuais. Você os encontra em bares gays ou discotecas, e eles costumam estar dispostos a falar. Mas quando você pede para contatar suas mães e parentes, a coisa fica delicada.
Talvez esses genes dêem a elas uma fertilidade maior, porque favorecem uma taxa menor de abortos naturais. Ou, de outra forma, poderia lhes dar uma personalidade mais extrovertida, que facilitasse entrar em relações. Nós achamos uma evidencia tênue de que essas mães e tias têm menos problemas com reprodução e parto, em geral. Já em personalidade, não achamos nada. Mas ficamos surpresos com outra coisa: mães e tias desses homossexuais, durante suas histórias de vida, se sentiram mais atraídas por homens do que as mães e tias de heterossexuais. Então, estamos procurando fatores genéticos que, de alguma maneira, influenciem a androfilia, a atração por homens. Isso significa que, se você for mulher, você se sente mais atraída por homens e, se você for homem, se tornará ligeiramente mais atraído por homens e pode acabar se tornando homossexual.

FOLHA - Mas como isso ocorre na célula? Vocês apontam para algum gene específico, algum hormônio?
CIANI -
Eu estudo genética do comportamento. Então, quando eu sei algo, sei que existem genes de como esse traço se comporta. Uma vez que você descobre como o caractere controla o traço, não importa saber exatamente onde ele está. Algumas pessoas que tentam descobrir isso têm razões com as quais eu não concordo. Caçadores de genes às vezes querem vender uma patente envolvendo a localização do gene para fazer negócio. Poderiam, aí, sugerir algo que possa evitar que seu filho se torne gay ou sua filha lésbica. Não concordo com isso. Estou interessado na natureza humana, não em "vender" um filho "melhorado" para quem quer que seja.

FOLHA - Mas seu trabalho pode ajudar os caçadores de genes.
CIANI -
Sim, mas agora eles teriam uma restrição maior. Isso não é uma doença, é um traço que confere vantagem reprodutiva a um dos sexos e desvantagem a outro. Se alguém interferir aí, pode mudar a orientação de um filho, mas também pode influenciar de maneira ruim a sua filha. Se há um gene ali e não é o gene de uma doença, significa que existe uma razão para ele estar lá.

FOLHA - Gays se sentirão melhor ao saber que a natureza, não só a criação, influencia suas opções?
CIANI -
A comunidade gay sempre fica muito infeliz quando pessoas falam sobre esse assunto e os jornalistas começam a usar manchetes como "Descoberto o gene gay". Isso é besteira. Nós, geneticistas comportamentais, sabemos há muito tempo que o debate de natureza contra criação é fútil. Todos os genes têm de se expressar em um ambiente. O ambiente influencia a expressão do gene, assim como o gene influencia o ambiente onde ele se expressa. Vou dar um exemplo. Todos nós temos genes que favorecem o roubo, porque se não tivermos o comportamento do roubo, não sobreviveremos em uma emergência onde ele pode ser necessário. Isso não significa que sejamos forçados a sermos ladrões.
Há genes influenciando algumas pessoas, tornando mais fácil para elas optar pela homossexualidade. Ser ou não ser homossexual, porém, é resultado de história de vida, além de genes. O que queremos saber é por que os genes que influenciam a homossexualidade existem. Um gene que reduz a taxa de reprodução das pessoas deveria desaparecer. Esse é o dilema darwiniano da homossexualidade. A posição da Igreja tem sido por muito tempo a de dizer que o homossexualismo seria um vício, um pecado contra a natureza. Com o nosso estudo, podemos dizer claramente que o homossexualismo não vai contra a natureza. Ele faz parte da natureza, e é demonstrado precisamente pela seleção sexual darwiniana.

FOLHA - O sr. também está estudando as lésbicas?
CIANI -
Sim. Eu comecei a coletar muitos dados sobre lésbicas dois anos atrás, mas nosso modelo não funciona com lesbianismo. Esse é um fenômeno diferente, com uma dinâmica diferente e uma origem diferente.

FOLHA - O sr. tem dificuldade para publicar seus estudos?
CIANI -
Muitos estudos são rejeitados em algumas revistas científicas. Uma hora antes de você me telefonar, um jornalista da revista "Science" me telefonou, porque estava fazendo uma matéria para o "público geral". Foi estranho, porque eu tinha submetido meu estudo para a "Science", antes da "PLoS", e eles rejeitaram dizendo que não era "de interesse geral". Não mandaram nem para os revisores.

 

 

 


Postado por Alma Collins às 08h52 AM
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