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Mulheres do Haiti caem no desamparoFrancisco Peregil Enviado especial a Porto Príncipe Agora que finalmente em muitas áreas de Porto Príncipe se veem filas organizadas de pessoas recebendo água e comida; agora que o governo anunciou que os que ficaram sem casa chegam a 1 milhão, os feridos são cerca de 200 mil e os mortos, mais de 150 mil..., agora continuam morrendo mulheres no Haiti por causa do terremoto. Mas já não engrossarão nenhuma estatística. Morrerão em silêncio, muitas delas em suas casas, sem assistência médica nem fotógrafos ao redor. No Haiti não é raro que as mulheres tenham de dar à luz em suas próprias casas, sem nenhuma ajuda, no mais absoluto desamparo. É o que explica a enfermeira norueguesa da ONG Médicos Sem Fronteiras Veronica Gran, no hospital Saint Catherine do bairro Cité Soleil, rodeada de parturientes em barracas de campanha. "Algumas mulheres nunca vêm ao hospital porque não têm dinheiro nem sequer para o transporte. Outras, porque não sabem que o parto é grátis, que não vão lhes cobrar nada. E outras, porque sabem que se dá prioridade às intervenções cirúrgicas ao resto dos tratamentos médicos. Como ocorre em todas as catástrofes, as principais vítimas voltaram a ser os mais fracos: as mulheres e as crianças." "Estou convencida de que vêm muito menos mulheres ao hospital do que deveriam vir", acrescenta Gran. "E muitas das que estão vindo chegam tarde demais, sem ter feito qualquer acompanhamento médico durante a gravidez. Sofrem infecções urinárias, algo que teria sido muito fácil tratar se fosse detectado a tempo. Mas, como não se faz isso, as probabilidades de que a criança nasça com infecções são muito altas. Outras sofrem contrações em casa há vários dias e no meio de tanta dor não sabem aonde ir. Quando chegam aqui, trazem o bebê morto dentro delas. Outras vieram com a pressão muito alta e com anemia, e seus filhos nasceram muito pequenos e frágeis." "Mas se você tem um equipamento para partos e não sabe como usá-lo, de pouco serve. As mulheres com anemia, se começam a sangrar, é muito difícil que superem o parto com vida", indica a enfermeira da Médicos Sem Fronteira que distribuiu o material. Na maternidade do Centro Ginecológico Isaie Jeanty & Leon Audain, o médico residente de terceiro ano Bordes Edouard confirma que as mulheres foram afastadas para atender casos supostamente prioritários. E lamenta a desinformação que as parturientes sofrem. "Esse hospital fechou com o terremoto, mas abriu há três dias e muitas mulheres não sabem disso, apesar de estarmos anunciando pelo rádio. Outras creem que ainda é preciso pagar para dar à luz, quando há alguns meses os partos são grátis nos hospitais públicos." Se é difícil para as grávidas chegar aos hospitais, para as violentadas o caminho se torna inútil. Paul Henock, gerente do centro ginecológico citado, afirma que desde o dia do terremoto chegaram ao hospital três mulheres para ser examinadas depois de sofrer violência sexual. "Mas tivemos de enviá-las para outros centros, porque não havia tempo para atendê-las", indica Edouard. Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento no Haiti publicado em 2006 indicava que um terço das mulheres do país tinha sofrido violência física ou sexual. E que a metade delas era menor de 18 anos. No distrito de Carrefour foram organizadas patrulhas de cidadãos para proteger as centenas de pessoas que hoje vivem nas ruas. Como o edifício da prefeitura de Carrefour ficou destruído, o prefeito recebe sentado sob uma árvore todas as famílias que vêm pedir dinheiro. A assistente social Malía Joseph atende às mulheres. "Aqui vêm muitas que não têm dinheiro, estão sós e não sabem aonde ir. Para mim isso também é uma espécie de violação." "Mas quantas chegaram desde o terremoto para denunciar violações físicas?" "Nenhuma. Para isso vão à delegacia." Meio quilômetro além, o subcomissário de Carrefour, Angenor Pierre, sentado à sombra com uma perna cruzada sobre a outra, confessa: "Vieram brigadas de cidadãos para nos dizer que houve duas tentativas de violações. Mas não tivemos tempo de investigar nada até agora. A partir de terça-feira o faremos. De todo modo, as mulheres não costumam vir aqui quando são violentadas." "Aonde vão, então?" "A um colégio de freiras, aí em cima." Finalmente, no colégio de salesianos de Carrefour, podem-se ver centenas de barracas de campanha erguidas para receber os que ficaram sem casa. Junto delas, a freira colombiana Rocío Pérez, de 67 anos, que chegou há 44 ao Haiti. "Neste país as mulheres fazem às vezes de mãe e de pai. São elas que trazem as crianças para a escola e que cuidam das casas. Os homens pobres são muito negligentes." Pérez comenta que no sábado chegou uma mulher sozinha que pariu ali mesmo em uma barraca. "E chegaram mulheres violentadas?" "Disso não sei. Mas neste país esse é um problema muito antigo. O governo sempre diz que vai fazer algo contra os bandidos, mas nunca faz nada. Eu lembro que com frequência, no bairro onde eu trabalhava, antes se comentava que as meninas jovens saíam para buscar água à noite e eram violadas. Mas não diziam nada. Nunca dizem nada." Se estas são as voltas que um branco tem de dar para tirar algo claro sobre as violações depois do terremoto, quantas não dará uma mulher negra, com ou sem marido, que durma na rua e que tenha se armado de coragem para denunciar uma violação. E se decidisse abortar seria melhor descartar a idéia. "Um aborto custa de US$ 100, que cobra qualquer médico charlatão que se encontra na rua, até US$ 250 de um sério", informa a assistente social Malía Joseph. Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Postado por Alma Collins às 07h00 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]()
Internet também cria marginalizados sociaisDavid Alandete A divisão digital se alimenta de pobres, de idosos e da população rural, sem acesso a serviços que se mudaram para o ciberespaço Na revolução da Internet, que hoje chega aos telefones celulares, às telas de televisão e até aos aviões, uma boa parte da população ficou desprezada. Há idosos que não entendem o que é um navegador. Existem regiões pobres, rurais e urbanas, que não dispõem dos cabos necessários para oferecer banda larga. E há jovens que dominam perfeitamente os programas de bate-papo e as redes sociais, mas não sabem como enviar um currículo em boas condições através do correio eletrônico. São os marginalizados da rede, e diante de uma tecnologia em rápida mutação correm o risco de ficar para trás. Richard Brock é um deles. Esse morador de Washington, de 65 anos, dedicou toda a sua vida ao salão de cabeleireiro e se considera um analfabeto digital -a comprovação empírica de que a célebre divisão digital existe. "Eu pensava que para ligar um computador era preciso tirar o plástico com que vinha enrolado", brinca. "Percebi que a Internet se torna necessária para as pessoas da minha idade, para organizar o trabalho da igreja, consultar serviços da prefeitura, manter contato com parentes e amigos." E não só para isso. Diante da grave crise econômica que vivem os EUA, Brock, já aposentado, procura trabalho. "E para isso é preciso entender de computadores e de Internet." Para um idoso que nunca aprendeu informática, que nunca abriu um notebook na vida, pode ser muito difícil voltar ao mercado de trabalho em uma dura crise econômica na qual as aposentadorias de muitos não estão garantidas e em que os despejos e as penhoras são moeda corrente. Essa é a verdadeira face do que se passou a chamar de divisão digital. Pessoas como Brock são os alunos da academia Byte Back, situada no bairro de Brookland em Washington, uma área de maioria afro-americana. Esse centro é um refúgio de pessoas sem um teto na rede, cidadãos que carecem da formação e dos meios para navegar na Internet. Aqui se dão aulas de informática gratuitas para pessoas que quando chegam não sabem o que é um computador, e quando saem podem formatar um currículo, abrir uma conta de e-mail e mandá-lo para um departamento de recursos humanos. Trata-se de uma pequena ponte, por mais precária que seja, que oferece um grande avanço para contornar a brecha digital. No ano passado a Byte Back deu 527 aulas para 442 alunos. Deles, 307 se matricularam no nível mais básico, no qual precisam aprender do zero, desde o botão de Iniciar do Windows. Em geral, 80% dos alunos -entre os quais há algumas pessoas sem teto- finalizam os cursos. Os professores, quase uma centena, são em sua imensa maioria voluntários. "Pelo tipo de gente que vem aqui, temos a impressão de que as pessoas entre 60 e 80 anos estão ficando para trás. Isso é algo que vai piorar conforme houver coisas que só possam ser feitas online", explica a diretora da escola, Kelley Ellsworth. "A partir deste ano aqui em Washington só é possível registrar crianças em creches públicas através da rede. Até alguns meses atrás podia-se fazer pessoalmente. Agora os idosos sem experiência de informática não podem se encarregar de uma coisa tão simples para seus netos." É verdade. Há cada vez mais burocracias que são feitas exclusiva ou principalmente através da rede. O governo dos EUA, por exemplo, exige que os viajantes europeus que queiram visitar o país se registrem previamente em uma lista através de um site. Muitos centros escolares dos EUA impõem deveres a seus alunos que devem ser feitos online. As empresas de telefonia, eletricidade e água cobram uma tarifa de até 3 euros mensais para enviar faturas em papel. A Espanha, por exemplo, já tem a identidade digital para fazer todo tipo de tarefas com o simples acesso a uma conexão à Internet, e as prefeituras dos países industrializados utilizam cada vez mais a rede para trâmites tão simples -e que antes envolviam filas e papeladas- como renovar carteiras de motorista, requerer seguro-desemprego, pagar multas de trânsito ou saber aonde o guincho levou seu carro. Segundo uma pesquisa do Centro de Pesquisas Pew do final de dezembro, 74% dos americanos usam regularmente a Internet. Essa cifra é bastante superior à registrada na Europa, onde somente 49% da população têm conexão à Internet em casa, segundo um relatório de 2009 do Ministério da Indústria, elaborado com dados de 2008. Na Espanha, 51% dos domicílios contam com conexão à rede, abaixo de países como Eslováquia, Reino Unido ou Suécia. Esses dados confirmam a existência de desigualdades demográficas no acesso à Internet. Nos EUA, por exemplo, 76% das pessoas de raça branca se conectam à Internet com regularidade. Essa cifra cai para 64% entre a população hispano-americana. A diferença é mais pronunciada entre faixas etárias: 93% dos jovens entre 18 e 29 anos se conectam à rede, enquanto só 38% dos maiores de 65 anos o fazem. "É normal que as pessoas mais velhas que vêm para estas aulas sintam medo no início", explica Ellsworth. "Muita gente não sabe nem o que a espera em uma tela de computador. O melhor em nossas aulas é ver as caras de vitória no final, ver que o medo desaparece e como essas pessoas comemoram sua vitória pelo simples fato de ir ao site da prefeitura e procurar algum dado." Afinal, os idosos deveriam ser os mais beneficiados por uma tecnologia que evita papeladas intermináveis e filas longuíssimas. "Essas pessoas deveriam mergulhar na rede. Ninguém como elas pode obter um benefício de pedir uma visita médica ou um serviço municipal através de uma tela em sua casa", explica Ellsworth. Mas não são só os idosos que sofrem os prejuízos colaterais da divisão digital. "Os casos mais preocupantes que encontro são os de jovens que acreditam ser muito versados em informática e Internet, mas ignoram que na realidade são analfabetos digitais", acrescenta Ellsworth. "São pessoas que se comportam como ninguém nos chats, que controlam todas as redes sociais e têm perfis em dezenas de sites. Mas que não são capazes de abrir um documento de texto e formatá-lo, ou que não conhecem as regras básicas de enviar uma mensagem de correio eletrônico para pedir um trabalho, gente com endereços de correio confusos, ou que não sabe sequer passar um corretor ortográfico em um documento." Embora se destaquem menos, os jovens de poucos recursos e com educação moderada também são deixados de lado nessa divisão digital. Em Washington há muitos deles. Sofrem um desemprego que entende de raças e bairros. Aqui, no 3º distrito, zona rica de embaixadas e universidades, de maioria branca, o desemprego é de 3%. No 5º distrito, do outro lado do rio Anacostia, uma zona pobre de submoradias e insegurança nas ruas, de maioria afro-americana, é de 28%. Mas alguns especialistas entendem que esses são os efeitos normais de qualquer ciclo econômico e que na realidade essa divisão digital é uma quimera. "Mais que uma brecha, é uma membrana permeável", explica Benjamin Compaine, especialista em empresas digitais, professor de administração de empresas na Universidade Northeastern e autor do livro "A Brecha Digital: Crise a enfrentar ou mito inventado?", publicado em 2001. "Algumas pessoas têm conexão no trabalho e não em casa. Há jovens que têm Internet na escola e não precisam dela em casa. É muito difícil descrever uma brecha como a que esse termo sugere." No mundo desenvolvido há lacunas regionais não conectadas à rede, por ser zonas remotas, de difícil acesso, ou bairros pobres em zonas urbanas onde às vezes nem sequer existem os cabos necessários para oferecer a Internet. O governo americano anunciou em dezembro passado que oferecerá US$ 2 bilhões (1,4 bilhão de euros) para facilitar o acesso à banda larga nesse tipo de área. Ao fazer o anúncio, em 29 de dezembro na Geórgia, o vice-presidente Joe Biden disse que o acesso à banda larga "é necessário para criar a economia do século 21". Para o professor Compaine, como para muitos economistas dos EUA que defendem o livre mercado, o Estado deveria se dedicar a outros assuntos. "Quando há tantas pontes para construir e tantas infraestruturas para melhorar, coisas que na verdade a iniciativa privada não vai solucionar, por que investir o dinheiro dos contribuintes em algo como facilitar o acesso à rede? Nos últimos dez anos a oferta e a procura solucionaram o problema. Sim, há cerca de 20% de domicílios nos EUA sem conexão à rede. Mas em muitos desses domicílios vivem pessoas que têm Internet no trabalho, ou no telefone ou através de satélite. São números imprecisos." Em relação aos lugares remotos sem acesso à rede, Compaine é claro: "Por que eu deveria pagar pelo acesso à Internet em uma zona rural do Wyoming, por exemplo? Viver em cada lugar tem seus benefícios e seus custos. É certo que para um fazendeiro de Wyoming o seguro do carro custa menos que a metade do seguro do meu carro em Nova York, por exemplo. É normal que para ele o acesso à rede custe mais caro". Nem todo mundo tem a mesma opinião. "A divisão digital existe. Se não quiser chamá-la assim, também se pode falar em desigualdade econômica. É a mesma história de sempre", explica Ken Eisner, diretor-executivo de operações da companhia sem fins lucrativos One Economy, encarregada entre outras coisas de oferecer conexão à rede para minorias pobres. "A Internet é o novo espaço público. Não ter acesso à rede em muitos casos não é uma questão de se viver em um lugar ou outro. É uma questão de pobreza, de subdesenvolvimento urbano ou rural", acrescenta. Um de seus últimos projetos é oferecer acesso à banda larga para mais de mil famílias em Washington, através da operadora de telefonia e Internet Criket e com a ajuda de Google e Qualcomm. Até agora realizaram projetos semelhantes em outros estados, nas áreas rurais da Califórnia, Carolina do Norte, Virgínia Ocidental ou Missouri. Recentemente a One Economy iniciou programas semelhantes em grandes cidades como Washington. "Por cada acesso à rede que oferecemos estamos dando a uma criança os meios necessários para ter um trabalho digno", explica Clyde Edwards, diretor da One Economy e coordenador de seus projetos locais na área metropolitana de Washington. "Trabalhamos para que todas as crianças pobres de hoje possam sonhar com ser os criadores do Facebook ou do Google de amanhã. Queremos levar a Internet a todos os lugares possíveis." É um sonho que muitos outros compartilham. Há conexões com a rede mundial em lugares nunca antes imaginados, como o pólo sul, na Estação Amundsen-Scott, ou a bordo do ônibus espacial da Nasa. Diversas iniciativas tentaram levar a Internet a lugares extremamente remotos. Muitas vezes com êxito, como demonstra o caso de Entasopia, no Quênia, uma aldeia de 4 mil habitantes à qual o Google, através de um convênio com a Universidade de Michigan, levou a banda larga no ano passado através de uma conexão satélite alimentada por painéis solares. O sonho de um mundo totalmente conectado parece se tornar realidade aos poucos, a cada dia. As novas gerações quase já nascem conectadas à rede. Só o tempo e a sucessão de gerações demonstrarão se a Internet é capaz de reduzir as desigualdades ou se realmente ajuda a combatê-las. Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Postado por Alma Collins às 07h14 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]()
IMAGENS Parece que continuo a mesma Mas somente parece Tem coisas que não se esquece Que ficam marcadas nas entranhas Então aparecem imagens estranhas Sonhos nunca tidos antes Subconscientes marcantes Num desabrochar de fatos Indecifráveis Porém histórias palpáveis De acontecimentos inventados Ou desejos guardados Que agora afloram Imagens vindas das fontes das carências reprimidas Que insiste em jorrar Alma Collins
Postado por Alma Collins às 09h28 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]() Postado por Alma Collins às 01h18 AM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]()
Já somos demais?Verónica Calderón Seremos 7 bilhões de habitantes no mundo em 2012 e 9 bilhões em 2050. O problema não é a fecundidade, que já está diminuindo, mas a má distribuição de recursos. A gravidade da crise alimentar, o aumento inusitado da população nos países menos desenvolvidos e os efeitos da mudança climática são algumas razões para repetir a mesma frase: "Já somos demais". E continuaremos crescendo. Em 2012 a população mundial alcançará 7 bilhões de pessoas. Em 2050 a Terra abrigará 9,1 bilhões. A grande maioria dos novos habitantes viverá nos países pobres. Segundo cálculos da ONU, em 2050 a população espanhola será praticamente igual à de 2009, cerca de 42,8 milhões de habitantes. Muito longe do crescimento previsto para países como Níger, Somália e Uganda, cujas populações crescerão até 150% nos próximos 40 anos. A população dos países desenvolvidos se manterá praticamente igual e em alguns inclusive diminuirá. Em troca, os países mais pobres do mundo terão um crescimento acelerado. Dos 2,4 bilhões de pessoas a mais que haverá no mundo em 2050, 98% viverão em países pobres. Há espaço suficiente e recursos para todos? As taxas de natalidade diminuíram 50% nos últimos 30 anos, e espera-se que caiam ainda mais. Inclusive nos países mais pobres do mundo, a natalidade se reduzirá pela metade. As previsões da ONU coincidem em que a tendência se manterá. Prevê-se que em 2050 a fertilidade mundial será de apenas 1,85 filho por mulher. Sem os métodos anticoncepcionais, a população mundial cresceria para 11 bilhões de pessoas em 2050. Os controles de natalidade foram fundamentais, mas não são a única solução. Há mais de 200 anos a advertência já era explícita: o inglês Thomas Malthus advertiu em seu célebre "Ensaio sobre o Princípio da População" que os recursos naturais seriam insuficientes para abastecer a população mundial. A pesquisadora Rosamund McDougall, diretora adjunta da ONG Fundo para uma População Ótima (OPT na sigla em inglês), adverte que "uma população de mais de 9 bilhões de pessoas teria um impacto terrível sobre a Terra, e não só na qualidade de vida. O volume de emissões de gases do efeito estufa tornaria impossível viver no planeta em 2050". Quem ocupará a Terra então? A população dos 49 países mais pobres do mundo se duplicará, de 840 milhões para 1,7 bilhão de pessoas, segundo aponta o relatório Perspectiva sobre a População Mundial, divulgado em 2008 e elaborado pela Divisão de Pesquisa Demográfica e População Mundial da ONU. Os países desenvolvidos, em comparação, não sofrerão uma mudança significativa em sua população: de 1,23 bilhão de habitantes em 2009 para 1,28 bilhão em 2050. Inclusive Japão, Geórgia, Rússia e Alemanha perderão 10% de suas populações. O cientista e escritor britânico Fred Pearce opina que o problema não é quantos somos, mas a maneira como distribuímos os recursos. "É evidente que o problema é o consumo excessivo dos países desenvolvidos e não a superpopulação dos mais pobres", afirma. O consumo de uma pessoa nos EUA emite 20 toneladas de dióxido de carbono por ano; o equivalente ao de dois europeus, 4 chineses, dez indianos ou 20 africanos. Oitenta por cento da população pagariam as consequências econômicas e ambientais do consumo de 20%. Stephen Pacala, diretor do Instituto Ambiental da Universidade Princeton (EUA), calcula que os 500 mil habitantes mais ricos do mundo -cerca de 0,7% da população atual - são responsáveis por 50% das emissões de CO2 no mundo. E a situação só fará agravar-se nos próximos anos. "O desafio é, na realidade, que os recursos sejam distribuídos de maneira mais equitativa. Os efeitos sobre o meio ambiente são extremamente difíceis de reverter através das taxas de natalidade", adverte Pearce. "Mesmo se reduzíssemos a zero a fertilidade no mundo, as emissões de gases do efeito estufa deveriam diminuir pelo menos 50% até meados do século", explica. Além dos efeitos da mudança climática, os países menos desenvolvidos enfrentam a fome, a causa direta ou indireta de 58% do total de mortes do mundo, segundo um estudo da ONU divulgado em 2004. O Instituto de Recursos Mundiais (WRI na sigla em inglês) advertiu na semana passada que em 2050 haverá mais 25 milhões de crianças desnutridas no mundo, que se somarão às 150 milhões que padecem fome atualmente. Os níveis de pobreza continuarão aumentando: entre 1981 e 2001 duplicou o número de pessoas que viviam com menos de US$ 1 por dia na África subsaariana, de 164 milhões para 316 milhões; e nos próximos 40 anos dois terços da população mundial viverão em países em desenvolvimento. O fato é que hoje 1 bilhão de pessoas (um sexto da população mundial) sofrem fome. Em 2050 serão 1,7 bilhão, 18% da população prevista para então. Além da degradação ambiental, os conflitos e o baixo desenvolvimento causam a escassez de alimentos. Os agricultores africanos empregam o equivalente a 1% do fertilizante utilizado por um agricultor em um país rico. E enquanto nos países pobres se consome uma dieta baseada em vegetais, os ricos consomem comida que come vegetais. Para produzir um quilo de carne são necessários pelo menos 10 quilos de pasto. Um americano médio consome 120 quilos de carne por ano, enquanto nos países em desenvolvimento a média é de 28 quilos. "A cooperação marcaria uma diferença significativa", afirma Pacala. "As crises de fome se devem na maioria das vezes ao fraco desenvolvimento dos países e a uma produção insuficiente", comenta. A falta de tecnologias que desenvolvam a agricultura nos países menos desenvolvidos e os efeitos da crise econômica global pioram as circunstâncias. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO na sigla em inglês) advertiu em 2008 que o gasto anual em alimentos importados nos países mais pobres poderia representar quatro vezes mais que em 2000. "Para os consumidores mais pobres, que aplicam 60% de seu gasto habitual em comida, o aumento significa um golpe brutal para suas finanças", observa o relatório. A FAO também salienta que para combater a fome o mundo deveria produzir em 2050 70% mais alimentos que hoje. O desafio não é novo. A chamada Revolução Verde conseguiu duplicar a produção de alimentos entre 1960 e 1990. E na atualidade ainda existem 60% de terra fértil no mundo. Mas o que garante aos países pobres um desenvolvimento sustentável nos próximos anos? Pearce e Pacala concordam que um bom início é o investimento. Um relatório do Ministério do Desenvolvimento britânico calculou em 2008 que para reduzir a fome no mundo seriam necessárias pelo menos 900 milhões de libras (cerca de 987 milhões de euros) para garantir o desenvolvimento e as tecnologias necessárias para favorecer a agricultura nos países mais pobres. O orçamento da FAO em 2008 foi de cerca de US$ 870 milhões. Em 2009 subiu ligeiramente, para US$ 930 milhões. Ao comparar a cifra com os US$ 700 bilhões que o governo americano destinou para evitar a quebra do banco de investimentos Bear Stearns, as hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae e a seguradora AIG em setembro do ano passado, o orçamento mundial dedicado a combater a fome representa apenas 2% dessa cifra. Os líderes reunidos na cúpula do G20 realizada em Pittsburgh em setembro passado concordaram em destinar cerca de US$ 2 bilhões em ajudas para combater a fome no mundo, mas um estudo publicado pelo Instituto Internacional para Pesquisa de Políticas Agrárias divulgado em outubro indica que é insuficiente. "São necessários pelo menos US$ 7 bilhões ao ano para a pesquisa agropecuária e a melhora da infraestrutura rural nos países. Se continuar uma política que privilegia os lucros, as consequências serão desastrosas", adverte Gerard Nelson, um dos autores do relatório. A prioridade para resolver a fome, um grave consequência da má distribuição de recursos no mundo, também não é nova. Perguntado em 1972 em uma entrevista a Dick Cavett sobre as consequências da superpopulação, John Lennon foi claro ao definir o primeiro passo: "Temos comida e dinheiro suficientes para alimentar a todos. Há espaço suficiente e alguns até vão para a lua". Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Postado por Alma Collins às 07h45 AM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]()
Computador simplificado para idosos é lançado na Grã-BretanhaUm novo computador direcionado para idosos com mais de 60 anos que não tem prática com computadores ou com a internet foi lançado na Grã-Bretanha. O computador, chamado de SimplicITy, é operado através de uma tela inicial básica que oferece apenas seis opções, que direcionam os usuários para atividades básicas como envio e leitura de e-mails e conversas online. Produzido em parceria entre a empresa de informática Wessex Computers e o website de descontos para idosos Discount Age, os computadores usam o sistema operacional livre Linux. Os computadores custam entre 299 libras (R$862) e 526 libras (R$1514) e já vem instalados com 17 vídeos que ensinam os usuários a trabalhar com o equipamento. O SimplicITy não apresenta os menus convencionais. Ao ser ligado, uma tela chamada de Square One é aberta, oferecendo seis opções que podem ser clicadas para levar o usuário aos e-mails, navegar na internet, arquivos (documentos, fotos, etc), conversas online e um perfil do usuário. A apresentadora de televisão britânica Valerie Singleton, que dirige o website Discount Age e apresenta os vídeos que acompanham os computadores, afirmou acreditar que os idosos "não entendem os computadores". "Eu uso computadores já há algum tempo e não entendo tudo. Cada vez aprendo uma coisa nova e preciso escrever para não esquecer", disse. De acordo com Andrew Harrop, diretor de políticas públicas das ONGs britânicas Age Concern e Help the Aged, que trabalham com idosos, os esforços para tentar levar os mais velhos para o ambiente online devem ser "aplaudidos". "Aposentados que não estão online estão perdendo dinheiro em descontos potenciais em suas compras e com freqüência perdem as melhores taxas de juros para contas de investimento, sem contar os benefícios sociais de estar conectado", afirmou. Postado por Alma Collins às 08h21 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]()
REVOADA Pássaros voam sobre a árvore frondosa não pousam somente a revoada estrondosa. Talvez treinando o vôo matutino talvez exercitando suas asas e aquele barulho como um hino dava um ar bucólico às casas. Brinquem no ar pássaros eu sigo com os pés no chão olhando teu bando brincando e cantando sinto um ar de solidão. Alma Collins
REVOADA
Postado por Alma Collins às 08h26 PM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]() Postado por Alma Collins às 08h15 AM [] [envie esta mensagem] [ link ] ![]() |