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Nicotina em boa forma

Novo estudo elucida as bases neurais que relacionam a ação da substância ao controle do apetite. Autores pensam em maneiras de driblar seus efeitos nocivos para usá-la em tratamentos de obesidade e de dependência química.

Por: Gabriela Reznik

 

Nicotina em boa forma

A nicotina é sintetizada na raiz da planta do tabaco (‘Nicotina tabacum’) e está presente em suas folhas O teor da substância em apenas um cigarro já é capaz de ativar as vias nicotínicas que levam ao controle de apetite. (foto: Ivana De Battisti/ Sxc.hu)

Alívio ao estresse, gosto pelo sabor, status social e até mesmo a manutenção da ‘boa forma’ são algumas das motivações alegadas por fumantes de tabaco para justificar sua iniciação e permanência na condição de usuários.

Por ser o tabagismo a principal causa de mortes evitáveis no mundo, diversos estudos científicos têm buscado entender como a nicotina atua no organismo e o que explica as sensações relatadas pelos fumantes.

Uma dessas pesquisas, desenvolvida por cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e publicada na Science desta semana, ajuda a preencher uma dessas lacunas: a associação entre tabagismo e emagrecimento.

Por meio de testes moleculares, farmacológicos, eletrofisiológicos, comportamentais e genéticos, os autores rastrearam os caminhos neurais percorridos pela nicotina ao entrar no organismo de camundongos. Ao analisar os resultados, concluíram que a substância pode levar à diminuição da ingestão de alimentos e limitar o aumento de peso nesses animais.

Superativadora

Nicotina
Estrutura da nicotina. Estudos buscam entender a ação da substância no organismo. (imagem: Wikimedia Commons)

A nicotina, produzida na raiz da planta do tabaco (Nicotina tabacum) e presente em suas folhas, é reconhecida por receptores localizados na membrana celular de neurônios espalhados por todo o cérebro. Assim que é reconhecida, a substância estimula a liberação de hormônios psicoativos, como acetilcolina e dopamina, que provocam, entre outros efeitos, a sensação de prazer.

Os pesquisadores observaram que o reconhecimento da nicotina por esses receptores ativa, além da liberação hormonal, neurônios pertencentes ao sistema melanocortina, uma importante via cerebral envolvida na regulação do balanço energético e ingestão de alimentos.

Para identificar as subunidades dos receptores ativadas que levavam sinais às vias de controle do apetite, os cientistas usaram uma substância similar à nicotina, a citisina – utilizada em tratamentos de dependência ao tabaco –, que é capaz de se ligar a partes mais específicas dos receptores nicotínicos.

A nicotina e a citisina limitaram o ganho de peso, diminuíram a massa de gordura corporal e reduziram a ingestão alimentar em camundongos

Administradas em doses de 0,5 mg/kg (para nicotina) e 1,5mg/kg (para citisina), durante um mês, ambas as substâncias limitaram o ganho de peso, diminuíram a massa de gordura corporal em 15% a 20% e reduziram a ingestão alimentar em até 50% nos camundongos.

Segundo o neurobiólogo Yann Mineur, um dos autores do artigo, o controle de peso como justificativa ao hábito de fumar é observado em inúmeros estudos epidemiológicos. “Nos Estados Unidos, fumar para ‘se manter em forma’ é a principal razão citada por meninas adolescentes para justificar sua entrada e permanência no tabagismo”, disse o pesquisador em entrevista à CH On-line.

Mineur afirma que, também na Europa, muitos utilizam o cigarro como um supressor de apetite, especialmente o público feminino.

Fumo
Estudos mostram que, nos Estados Unidos e na Europa, uma das principais justificativas para o hábito de fumar é o controle do peso. (foto: Ria Hills/ Scx.hu)

“O teor de nicotina de apenas um cigarro já é capaz de ativar as vias nicotínicas que levam ao controle da ingestão alimentar”, afirma o neurobiólogo. A absorção da nicotina pelo organismo humano é, em média, 1 mg por cigarro, variando de 0,34 a 1,56 mg, de acordo com a marca e a forma de ingestão. O consumo diário de tabagistas regulares é de 10 a 61 mg de nicotina.

Mineur acredita que a nicotina pode ser uma aliada no desenvolvimento de tratamentos de obesidade. No entanto, alerta: “Devemos ser cuidadosos ao tentar traduzir resultados de pesquisas farmacológicas entre espécies, como camundongos e humanos, e as doses do medicamento e sua toxicologia devem ser atentamente estudadas para aplicações futuras”.

Gabriela Reznik
Ciência Hoje On-line


Escrito por Deborah Valente Borba Douglas às 08h25 PM
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Empresa de táxi só para mulheres prospera na capital indiana

 

  • AFP

    Mulheres taxistas viram a procura pelo serviço aumentar em Nova Déli, na Índia

    Mulheres taxistas viram a procura pelo serviço aumentar em Nova Déli, na Índia

Uma pequena companhia de táxis da Índia está fazendo sucesso ao oferecer um serviço exclusivo para mulheres no qual todos os taxistas são do sexo feminino, em um país onde a grande maioria dos motoristas de táxi são homens.

A empresa Táxis de Mulheres para Mulheres, que conta com oito motoristas, se tornou mais popular após o estupro coletivo de uma estudante em um ônibus da cidade em dezembro passado, em um caso que causou comoção e revolta no país e no mundo.

"Quando estou na rua dirigindo nosso táxi me sinto orgulhosa, porque é um serviço para mulheres e eu sou uma mulher", diz uma motorista da companhia, Shanti Sharma, de 31 anos. "Nosso trabalho é dar apoio às mulheres de Délhi. Estamos dando segurança a elas."

"Depois desse caso (o estupro coletivo), nossa quantidade de trabalho aumentou muito. Mulheres que usavam outros serviços de táxi também estão nos procurando agora", diz.

A maior parte das mulheres em Nova Délhi diz enfrentar assédio cotidianamente, especialmente no transporte público.

Mas a vida também não é simples para as motoristas de táxi. Algumas delas nunca haviam entrado em um carro antes de serem recrutadas, muito menos dirigido um.

Elas precisaram de muitos meses de treinamento não só de direção, mas também de primeiros socorros e defesa pessoal.

Uma das motoristas foi atacada por um motorista de táxi furioso enquanto enchia o tanque do carro. Outra foi atacada por um casal porque se recusou a dar ré em uma rua principal para dar espaço ao carro deles.

Sharma, uma mãe solteira de três filhas, trabalha como motorista desde 2011, quando o serviço começou a funcionar, e diz que o emprego mudou sua vida.

É a primeira vez em que ela ganha o suficiente para sustentar sua família - cerca de US$ 250 (aproximadamente R$ 490) por mês.

Naturalmente, ela e outras motoristas estão em minoria em relação aos homens. "Quando eu estaciono em algum lugar, sempre há homens lá e inevitavelmente cinco ou seis deles ficam juntos", conta.

"Eu sou geralmente a única mulher no estacionamento, então fico dentro do carro. Seria bom ter pelo menos outra mulher motorista para me fazer companhia."

Nas ruas, Sharma diz que os homens também tornam sua vida mais difícil.

"Assim que eles veem uma mulher eles começam a buzinar sem motivo. Tentam ultrapassar você. Estou sempre preocupada em evitar que alguém bata no meu carro."

Desafio ao preconceito

A Sakha Consulting Wings, empresa que fornece soluções de transporte seguro para mulheres indianas e que foi responsável pela criação da Táxis de Mulheres para Mulheres, tinha uma série de objetivos quando estabeleceu o serviço.

Com sua parceira, a Fundação Azad, a empresa queria dar a mulheres de baixa renda uma oportunidade de "ganhar o mesmo que os homens", segundo Nayantara Janardhan, diretora de operações da Sakha.

A primeira iniciativa da Sakha foi um serviço de motoristas particulares, que hoje emprega 50 mulheres.

"Há muito preconceito de gênero que diz que mulheres são más motoristas", diz Janardhan.

"Muitas mulheres que dependem de motoristas homens para levarem seus filhos para a casa, a escola e outras atividades admitem que se preocupam com a segurança de seus filhos, mas, para começar, nem queriam usar os serviços de mulheres motoristas", diz

Os primeiros clientes do serviço eram amigos e família. Eles gostaram, e a notícia se espalhou.

"Assim que conseguimos sete motoristas, ficamos mais visíveis", relembra a empresária. Isso deu à empresa a coragem para começar um serviço de táxis, que começou com um carro e duas motoristas.

"Todo mundo pensou que ter um serviço de táxi feminino em Délhi não ia funcionar, mas nós pensamos: 'vamos começar e ver o que acontece'."

Alta procura

Nos últimos dois meses, desde a morte da estudante, Janardhan tem recebido telefonemas e e-mails de pessoas em todo o mundo se oferecendo para ajudar a Sakha a crescer. O número de clientes também aumentou cerca de 40%.

A maioria dos clientes são mulheres independentes e relativamente ricas que precisam viajar sozinhas com frequência.

Uma das primeiras clientes do serviço foi Praneeta Sukanya, de 40 anos, que trabalha para uma organização beneficente internacional e costuma recomendar os táxis para as colegas que visitam a cidade.

"Muitas mulheres que vêm à Índia pela primeira vez ouviram estas histórias de horror e não sabem de nada sobre a cidade", diz ela. "A Sakha as ajuda a sair e ver Délhi com segurança."

Mas Sukanya também diz gostar do modo como as mulheres taxistas - como suas colegas em Mumbai e Calcutá - estão destruindo estereótipos sobre gênero na sociedade indiana.

"As coisas acontecem nas pequenas mudanças. Elas estão bombardeando um grande mito sobre o que as mulheres podem e não podem fazer."


Escrito por Deborah Valente Borba Douglas às 07h59 AM
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Alguns Gostam do Perigo

Sexo fora do casamento aumenta risco de morte súbita

por Rebecca Coffey

Há anos os médicos sabem que para a maioria das pessoas o sexo é seguro e prolonga a vida. Mas há cada vez mais evidências de que, pelo menos para adúlteros, não é bem assim. Em uma revisão de literatura sobre infidelidade, publicada on-line no Journal of Sexual Medicine, pesquisadores apresentaram evidências intrigantes de que o sexo extraconjugal pode ser fatal.

A morte por cópula é rara, mas os dados sugerem que quando acontece, geralmente é com adúlteros e a causa é cardiovascular. Em 1963 um patologista japonês relatou que de 34 homens que haviam morrido durante o ato sexual quase 80% praticavam relações extraconjugais. Em 2006, patologistas da Coreia do Sul documentaram 14 casos de morte súbita sexual, por causas cardiovasculares, e descobriram que apenas um deles envolvia um homem e sua esposa. No mesmo ano, pesquisadores da Universidade Goethe, em Frankfurt, na Alemanha, publicaram uma análise feita a partir de autópsias de 68 homens que tiveram morte relacionada a sexo: 10 haviam morrido com uma parceira fixa e 39 com uma prostituta.

Por que homens infiéis, em particular, morrem fazendo aquilo que amam? “O sexo extraconjugal pode ter seus próprios riscos”, justifica Alessandra Fisher, principal autora do estudo e especialista em transtornos sexuais da Universidade de Florença, na itália. “A amante pode ser muito mais jovem, o sexo pode ser particularmente atlético ou acompanhado de bebida ou comida em excesso.”

A culpa também pode ter seu papel: a análise estatística feita pela equipe da Universidade de Florença com quase 1.700 pacientes do sexo masculino mostrou que os envolvidos em relacionamentos extraconjugais estáveis apresentavam duas vezes mais doenças cardiovasculares – especialmente se relatassem que suas “parceiras oficiais” ainda estavam sexualmente interessadas neles. “Enganar uma mulher sexualmente disponível e envolvida poderia despertar mais sensação de culpa, o que aumenta o risco cardiovascular.”

 
 

 


Escrito por Deborah Valente Borba Douglas às 07h18 AM
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Entenda o Transtorno Explosivo Intermitente (TEI)

 

 

por Ana Maria Costa

 

Portador de TEI é o tipo chamado "pavio curto" -
"Ele reage de forma exagerada, desproporcional, causando constrangimento, prejuízos financeiros e isolamento social"

O TEI é um transtorno mental onde existe falha no controle do impulso da agressão gerando ataques de raiva.

    

Mediante situações percebidas como estressantes o individuo reage de forma desproporcional podendo agredir física e verbalmente as pessoas ou destruir objetos próprios e de terceiros.

O portador reage de forma exagerada, desproporcional, causando constrangimento, prejuízos financeiros e isolamento social. Ele frequentemente é chamado de “pavio curto”.

Sintomas comuns:

- Elevação dos batimentos cardíacos no momento que antecede os ataques de raiva;

- Alivio após as explosões verbais, físicas e destruição de objetos;

- Sentimentos de vergonha, arrependimento e inadequação após as explosões (embora acreditem que estejam corretos em suas reclamações, percebem que a forma como reagem é ruim)

- Depressão

Comportamentos:

- Ataques de fúria, destruindo objetos (celular, televisores, carros, etc.) e/ou agredindo fisicamente as pessoas;

- Explosões verbais com o uso de palavras de baixo calão (xingamentos);

- Prejuízo financeiro: muitas vezes são responsabilizados financeiramente pelas destruições, perdem empregos, etc.;

- Isolamento social: temendo ter ataques de raiva e/ou por serem reconhecidos como alguém que arruma confusão, isolam-se ou são excluídos de grupos sociais (empregos, escolas, família):

- Prejuízo afetivo: os relacionamentos não duram ou são muito tumultuados com brigas constantes;

- Problemas legais: devido a brigas no trânsito ou em outros locais podem ter problemas com a Justiça.

Relato de estudos

A violência é cada vez mais comum em nossa sociedade ocorrendo nas mais diversas classes econômica e social. Entender os mecanismos que desencadeiam e perpetuam a violência é um desafio para os profissionais da saúde mental.

Nos grandes centros, hospitais e clínicas desenvolvem estudos para propiciar tratamento aos portadores de transtornos que têm a agressão como tema.

Hospital das Clinicas (USP) oferece atendimento gratuito

Atualmente no Hospital das Clinicas, no Instituto de Psiquiatria, estamos disponibilizando tratamento para os portadores do Transtorno Explosivo Intermitente. Médicos psiquiatras e psicólogos disponibilizam atendimento gratuitos com objetivo do controle da raiva e suas consequências.

Grupo de pacientes que apresentam agressividade devido à falta do controle do impulso, onde comportamentos desproporcionais ocorrem, podem contar com essa ajuda. Nosso trabalho é propiciar aos interessados tratamento para que haja uma melhor qualidade de vida.

Local – Hospital das Clínicas – instituto de Psiquiatria – Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) FONE: 11-26617805

 

 

 


Escrito por Deborah Valente Borba Douglas às 08h25 AM
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MÁSCARA

 

Olhas no espelho

O que vês?

Um rosto marcado

Há rugas na tua tez

 

Os comentários dos outros

Fazem te sentires bem

Mas sabes que os elogios

No fundo, não os tem

 

O que sai transparente

Quando olhas para si

Se transforma completamente

Quando alguém se aproxima de ti

 

O que sentes por dentro

Não demonstras

Peito vazio, espera

Isso o que encontras

 

Fazer transparecer o que sentes

É muito perigoso

Já que se fazer compreender

Se torna oneroso

 

Por isso escolhes a máscara

Da tua simpatia, da tua beleza

Para esconder a melancolia

Que te faz chorar com certeza

 

Porém um dia a máscara cai

E te tornas transparente

Mostrando para quem quer que seja

A verdade – tranqüilidade finalmente.

Alma Collins


Escrito por Deborah Valente Borba Douglas às 09h16 AM
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Escrito por Deborah Valente Borba Douglas às 07h58 AM
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Famílias deixam pobreza extrema, mas ainda enfrentam dificuldades; leia histórias

DANIEL CARVALHO
ENVIADO ESPECIAL AO PIAUÍ

 

Lançado em meados do ano passado com o objetivo de erradicar a pobreza extrema, o programa Brasil Carinhoso tem sido usado pela presidente Dilma Rousseff como propaganda de governo em recentes discursos e pronunciamentos.

Segundo dados do programa obtidos pela Folha com base na Lei de Acesso à Informação, 13,1 mil famílias em todo o país recebem R$ 2 por mês para integrar essa estatística que ajuda Dilma a chegar perto de sua promessa: acabar com essa "miséria" até o "início de 2014".

Conheça histórias de quem recebe o benefício e, segundo o governo federal, deixou a miséria extrema, mas ainda enfrenta dificuldades.

Luíza Sousa, 51, de Demerval Lobão (PI)

A desempregada Luíza Sousa, 51, de Demerval Lobão (a 34,4 km de Teresina), entrou para a estatística de 16,4 milhões de ex-miseráveis que o governo diz ter alcançado com o programa Brasil Carinhoso.

Mas Luíza diz não ter mudado de vida com um complemento de R$ 2 que a família dela recebe por mês para ultrapassar os R$ 70 per capita que definem a pobreza extrema.

Eduardo Anizelli/Folhapress
Luiza de Franca Sousa, 50, desempregada, que mora na pequena cidade de Demerval Lobao, interior do Piauí
Luiza de Franca Sousa, 50, desempregada, que mora na pequena cidade de Demerval Lobao, interior do Piauí

"R$ 2 não dá para comprar nem meio quilo de frango. Comprei um coco hoje com R$ 2", disse à Folha, no início da semana passada, a mãe de três filhos. Dois deles são beneficiados pelo Bolsa Família, o principal programa de transferência de renda do governo federal.

Assim, a modesta casa sem reboco localizada em uma rua coberta por mato e lama é sustentada com R$ 142 do governo federal, além da ajuda de parentes e de algum dinheiro que Luíza ganha com um bico de lavadeira e o filho mais velho, com um trabalho de zelador.

O Brasil Carinhoso é um complemento do Bolsa Família.

Na cozinha, ela tinha menos da metade de uma garrafa de dois litros preenchida com arroz, pão e dois cocos.

A comida não acompanha o calendário e acaba antes do mês. "Só não fico sem porque como na casa da minha mãe", diz a mulher que diminuiu o ritmo de trabalho em 2012 depois de perder a visão do olho direito.

"Eu não quero me sentir miserável. Eu sempre sou uma pessoa lutadora. Quando não dá certo de um lado, eu tento lutar do outro para nunca faltar o que comer dentro de casa", diz Luíza com um sorriso constrangido.

Joelina Maria de Sousa, 31, de Demerval Lobão

Eduardo Anizelli/Folhapress
Joelina Maria de Sousa, 31, desempregada, que mora na pequena cidade de Demerval Lobao, interior do Piauí
Joelina Maria de Sousa, 31, desempregada, que mora na pequena cidade de Demerval Lobao, interior do Piauí

Na periferia de Demerval Lobão, no interior do Piauí, vivem Joelina Maria de Sousa, 31, e a filha Jucélia, 7. No início do ano elas viram o benefício que mantém as duas e ainda os pais de Joelina aumentar em R$ 2.

O benefício de R$ 104 não garante a tranquilidade da família e, quando a comida está prestes a acabar, Joelina corre atrás de serviço como empregada doméstica. "Tem que se virar. Quando falta [dinheiro], dou meus pulos para ter serviço", afirma Joelina.

O Bolsa Família ajuda a mãe de Jucélia a comprar comida, material escolar e roupas para a garota que quer ser cabeleireira.

Mas Joelina diz que o bônus [de R$ 2] que passaram a receber não mudou a situação da família. "Não dá para comprar nada".

Francisca Oliveira, 36, de Murici dos Portelas (PI)

É difícil enxergar a casa de Francisca Oliveira, 36, em uma das escuras ruas de Murici dos Portelas (a 252 km de Teresina). No espaço apertado delimitado por paredes de hastes de madeira preenchidas com barro, vivem ela, o marido e sete filhos.

Eduardo Anizelli/Folhapress
Francisca Oliveira, 35, desempregada, na casa de taipa onde mora, na pequena cidade de Murici dos Portelas, Piauí
Francisca Oliveira, 35, desempregada, na casa de taipa onde mora, na pequena cidade de Murici dos Portelas, Piauí

Ninguém tem trabalho fixo. Francisca era agricultora, mas depois que o Brasil Carinhoso ampliou o Bolsa Família, fazendo-o saltar de R$ 322 para R$ 422, no ano passado, ela largou a roça.

Questionada, disse: "Acho que não [sou mais miserável]. Melhorou muito minha vida".

O marido faz bicos na construção civil. No último domingo (20), quando a Folha visitou a família, ele chegou bêbado em casa. Conversou com a reportagem e logo voltou para o bar.

Apesar de não se considerar mais miserável por causa da ajuda federal, a vida da família ainda é difícil. Todos dormem em redes ao lado das galinhas, que usam a parede que separa o quarto da cozinha como poleiro.

A comida que agora dura o mês inteiro, segundo Francisca, é preparada em um arremedo de fogão feito de barro no chão de terra. O ambiente cheira a urina.

Antônia Pereira Galvão, 35, de Joaquim Pires (PI)

A dona de casa Antônia Pereira Galvão, 35, soube da existência do Brasil Carinhoso pela televisão. O que ela não sabia é que o valor do Bolsa Família que recebe aumentou em R$ 28 e chegou a R$ 162 em setembro por causa do programa lançado pela presidente Dilma Rousseff no ano passado.

Eduardo Anizelli/Folhapress
Antônia Pereira Galvão, 37, em sua casa na pequena cidade de Joaquim Pires, interior do Piauí
Antônia Pereira Galvão, 37, em sua casa na pequena cidade de Joaquim Pires, Piauí; ela recebe R$ 162 do Bolsa Família

O incremento que ela chama de "ajuda que Deus dá" serve para comprar comida para ela, o marido e mais três filhos.

Ela sabe que a ajuda é obra do governo federal. Por isso se diz "Dilma doente" e traz na porta da geladeira adesivos vermelhos com uma estrela branca e o número 13.

Dentro da geladeira, no entanto, só havia três ovos e um pouco de carne que virariam o almoço daquele domingo junto com o arroz que já estava na panela. O cardápio da refeição seguinte ainda era incerto. "Deus dá um jeito", afirma.

O marido fazia bicos na roça, mas a seca conseguiu fazer algo que parecia impossível: dificultou ainda mais a vida da família.

O filho caçula, João Vitor, de 3 meses, já sofre as consequências da pobreza extrema da qual, oficialmente, não faz mais parte. Não tem fraldas, urina no chão e dorme em uma rede, doente, com o pulmão cheio de catarro.

Antônio da Conceição Sousa, 39, de Joaquim Pires (PI)

Eduardo Anizelli/Folhapress
Antônio da Conceição Sousa, 38, vive na pequena cidade de Joaquim Pires, interior do Piauí
O agricultor Antônio da Conceição Sousa, 38, que vive na pequena cidade de Joaquim Pires, interior do Piauí

Na casa de Antônio da Conceição Sousa, 39, todos os sete filhos vão poder começar o ano com material completo. O agricultor disse que isso será possível graças ao incremento de R$ 224, que elevou o Bolsa Família deles para R$ 492.

"Foi uma ajuda grande. Tem que levantar as mãos para os céus e 'pedir' mil graças a Deus", diz Sousa, que ainda consegue um rendimento mensal de aproximadamente R$ 120 como agricultor.

Ele e a mulher dizem que deixaram de passar necessidade e saíram da miséria graças aos programas criados por Lula (2003-2010) e Dilma Rousseff. "Ela está olhando para a pobreza. Desde o tempo do Lula que melhorou o Brasil", declara.

 


Escrito por Deborah Valente Borba Douglas às 08h27 AM
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O planeta é capaz de suportar mais dois EUA?

Chandran Nair*
George El Khouri Andolfato

Nasa/Divulgação
  • Planeta não tem condições de abrigar o desenvolvimento econômico nos mesmos moldes que vêm sendo adotados até agora

    Planeta não tem condições de abrigar o desenvolvimento econômico nos mesmos moldes que vêm sendo adotados até agora

Tente imaginar um mundo com mais três Estados Unidos. Três potências econômicas gigantes, com cidadãos que compram, vendem e consomem, tudo na busca de suas versões do Sonho Americano. Difícil imaginar? Mas é nesta direção que os economistas dizem que estamos seguindo.

O amplo consenso é de que a China superará os Estados Unidos para se tornar a maior economia do mundo em duas décadas. E em 2050, a Índia será igualmente grande.

Essa perspectiva empolga muita gente –as do mundo dos negócios acima de tudo, mas também os governos asiáticos. Após décadas de trabalho árduo e luta, centenas de milhões estão à beira da abundância da classe média.

De acordo com as tendências atuais, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional esperam que o produto econômico global cresça entre seis e sete vezes entre 2005 e 2050. Desse modo, o PIB total da Ásia cresceria dos cerca de US$ 30 trilhões atuais para cerca de US$ 230 trilhões.

Esse é um número impressionante. Mas ele é realmente desejável –ou mesmo possível?

Se aos Estados Unidos se juntarem duas outras massas econômicas tão grandes (ou mesmo maiores, já que segundo as tendências atuais a economia americana triplicaria em tamanho até a metade do século), nosso planeta se tornará inimaginavelmente estressado.

Nós já ultrapassamos a capacidade regenerativa do planeta, mas isso não costuma ser computado em projeções econômicas sobre o crescimento.

Veja o exemplo da energia. Se os chineses e indianos usarem tanta energia per capita quanto os americanos, o consumo total de energia deles seria 14 vezes maior do que o dos Estados Unidos.

Mesmo se os asiáticos se restringirem ao menor uso de energia dos europeus, eles ainda assim consumiriam de oito a nove vezes mais energia que os Estados Unidos atualmente.

Independente do modo como olhemos, o mundo não pode suportar tamanho crescimento do uso de energia. As formas convencionais de geração de energia produziriam carbono em tamanho volume que nosso planeta estaria condenado a uma mudança climática inimaginável, enquanto as alternativas –até mesmo a energia nuclear– simplesmente não são viáveis dentro dos prazos mencionados.

Ou veja o exemplo dos carros. As estimativas sugerem que se a China, Índia e outros países em desenvolvimento atingirem o mesmo nível de propriedade de automóveis do Ocidente, o número de carros poderia chegar a 3 bilhões no mundo, quatro vezes o total atual, em quatro décadas. De onde viria o combustível para esses veículos e qual seria seu impacto ambiental?

Cálculos semelhantes podem ser feitos para tudo, de frangos a iPads. Colocando de modo simples, este mundo não possui o suficiente para mais dois Estados Unidos movidos pelo consumo.

Políticos, economistas e empresários permanecem em negação, usando a muleta da tecnologia, do livre mercado e das finanças para gerar mensagens de inovação e esperança. Mas esperança não é um plano.

Os governos asiáticos devem rejeitar as visões tacanhas daqueles que pedem para que os asiáticos consumam incessantemente –seja por economistas e líderes ocidentais, que desejam que a região se transforme em um “motor de crescimento” e assim reequilibrar a economia mundial, seja por governos asiáticos, convencidos de que economias em expansão constante são o que suas populações precisam.

Isso não é o mesmo que sugerir que as pessoas permaneçam pobres. Também não é um argumento contra o desenvolvimento econômico. Em vez disso, é um pedido para moderação no consumo, canalizado de modo a não aumentar a demanda da base de recursos; não esgotar ou degradar nosso meio ambiente; não produzir mais emissões e poluentes, e nem colocar em risco o sustento e saúde de milhões.

Para que a Ásia obtenha prosperidade para a grande maioria de sua população, os países da região devem encontrar formas alternativas de promover o desenvolvimento humano e econômico. O que a Ásia deve priorizar são incentivos que recompensem atividades “mais é menos” –aquelas que, diferente da anterior, não desvalorizem recursos nem externalizem seus verdadeiros custos. Isso seria um afastamento do capitalismo extremo atual, um remodelo que atenda às necessidades de um século 21 saturado.

Esses incentivos precisam ser poderosos. De novo, considere a China. Para que atinja sua meta de ser “moderadamente próspera” até 2050, com um PIB per capita real de aproximadamente quatro vezes o número atual, ela estima que teria que promover um aumento de sete vezes na eficiência do uso de recursos. A Índia está diante do mesmo desafio. Independente da natureza da política, ambas precisarão de uma intervenção forte e ousada do governo, especialmente contra os interesses adquiridos. Essas medidas precisariam ser complementadas por regras draconianas, restringindo o consumo de uma série de produtos, particularmente combustíveis fósseis, pesca e produtos florestais.

Grandes investimentos em infraestrutura pública também seriam necessários para dar às pessoas o transporte, água e saneamento, saúde e educação que muito necessitam. A segurança alimentar e a segurança além da agricultura industrial devem ser uma prioridade.

Adotar um panorama que coloque a gestão de recursos no centro de todas as políticas não será fácil para a Ásia, especialmente em sociedades que foram instruídas nas últimas décadas que a prosperidade só pode vir por meio das formas convencionais de crescimento econômico movido pelo consumo.

Mas se os governos da região puderem se erguer à altura deste desafio, serão aqueles que tomam decisões em Pequim, Nova Déli e Jacarta que determinarão se nosso mundo terá um futuro –e não, como tem sido o padrão nos últimos dois séculos, as capitais da Europa e dos Estados Unidos.

(Chandran Nair é fundador e presidente-executivo do Instituto Global para o Amanhã, um centro de estudos pan-asiático, e autor de “Consumptionomics: Asia’s role in Reshaping Capitalism and Saving the Planet”.)

Tradutor: Em Hong Kong (China)

Escrito por Deborah Valente Borba Douglas às 09h19 AM
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