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Êxito econômico de Dubai esconde sistema de trabalho com características de escravidão
 
Andy Robinson

LA VANGUARDIA

Frustrado com suas dificuldades de comunicação verbal, um dos trabalhadores indianos que relatou suas experiências em Dubai na frente da unidade 32 do acampamento de expatriados de Sonapur, pegou minha caderneta e escreveu em inglês: "Dubai Mall, maior centro comercial do mundo. Ao lado de Burj Dubai, o edifício mais alto do mundo... 468". Ele não se referia aos metros já construídos do enorme arranha-céu de Dubai (já são 640), mas sim ao salário de um operário da construção: 468 dirhams, o equivalente a 90 euros por mês, sem incluir horas extras.

O operário aponta para o logotipo em seu macacão, da empresa emirado-britânica Dutco Balfour Beatty, que administra a obra do Dubai Mall, e mostra que o vale alimentação é no valor de 75 dirhams (14 euros). Com esse dinheiro, há seis meses atrás se podia comprar 60 quilos de arroz; agora, nem 20. "75 dirhams são três dias de alimentação num hotel de Dubai. Para os operários isso deve durar o mês todo!", disse, revelando que desconhece a outra Dubai, a de David Beckham e Posh Spice, e o suntuoso hotel Burj Al Arab, onde um robalo ao champanhe custa 360 dirhams.

As megatendências da economia mundial convergiram em Sonapur, um conjunto imenso de barracões no deserto, a 30 quilômetros do centro de Dubai onde cerca de 150 mil trabalhadores da Índia, Paquistão e Bangladesh se acomodam em dormitórios coletivos. O barril de petróleo a 130 dólares transformou Dubai e Abu Dhabi em pólos da construção, gerando emprego para cerca de 700 mil imigrantes. Mas a desvalorização do dólar - e do dirham, que oscila de acordo com a moeda americana - reduziu em 10% ou mais as remessas enviadas a seus familiares. O encarecimento dos alimentos básicos dizima o seu poder aquisitivo.

Em Sonapur - que significa cidade do ouro em hindu, mas que estava parcialmente inundada por um charco pestilento de esgoto durante a nossa visita -, o golpe econômico triplo se soma às marcas peculiares do feudalismo pós-moderno dos Emirados. Marcas que negam o direito de formar um sindicato, de fazer greve ou de mudar de empresa. "Quero sair da companhia, mas eles têm meu passaporte", disse Rajashwar, de 39 anos, eletricista de Madras. Ao assinar um contrato de trabalho, o imigrante quase sempre entrega seu passaporte à empresa e não pode recuperá-lo até que termine o contrato, em geral depois de dois anos. Muitos trabalhadores endividados para pagar sua passagem e documentação - e que chegam a dever até 3 mil dólares para traficantes - são, além disso, vítimas das empresas que com freqüência atrasam os pagamentos.

Ilhados nos acampamentos, sem transporte público, os trabalhadores só vêem as duas metrópoles do petrodólar do alto dos andaimes.

"Os táxis não param aqui", diz Yooosaf, paquistanês que é funcionário de armazém, cuja unidade está inundada. Indianos, paquistaneses e bengalis constituem quase 50% da população dos Emirados.

É uma situação desoladora. Mas na Índia e no Paquistão suas famílias têm problemas piores. O Banco Asiático de Desenvolvimento calcula que a cada aumento de 10% no preço dos alimentos básicos - sobretudo do arroz - agrega sete ou oito milhões aos 30 milhões de pobres do Paquistão. Por isso, os trabalhadores mandam o restante dos salários às suas famílias, tirando o que gastam com comida e transporte.

Os paradoxos se multiplicam em Sonapur. O motivo da imigração é a crise rural na Índia, resultante do aumento dos preços dos pesticidas que dispararam com a subida do petróleo. Essa crise causou uma epidemia de suicídios de camponeses (que ingerem pesticidas para se matar). O suicídio se transferiu para acampamentos como Sonapur. O consulado indiano crê que a cada quatro dias um imigrante se suicide.

O êxito da petroeconomia dos Emirados esconde do mundo um sistema de trabalho "com características de escravidão", diz Nick McGeehan, da ONG Mafiwasta, especializada em abusos aos trabalhadores nos Emirados. Multinacionais respeitáveis que operam em Dubai são responsáveis por esses abusos.

Cada vez há mais protestos. No ano passado, um grupo de trabalhadores fechou a ponte de acesso a Dubai por duas horas. Em março, cerca de 1,5 mil trabalhadores atearam fogo a ônibus da construtora norte-americana Drake & Skulle e 2,5 mil trabalhadores que construíam a torre Burj Dubai fizeram greve. Outros consideram deixar o país se as autoridades permitirem. Uma saída em massa de imigrantes criaria problemas para os Emirados.

O governo anunciou reformas que permitiriam alguns direitos sindicais. Mas McGeehan diz que "há um abismo gigantesco entre a retórica e a realidade".

A esse ponto, as construtoras ocidentais que lucram bastante no Golfo já se acostumaram ao modelo Dubai. Elas registram aumentos fabulosos de benefícios: Balfour Beatty teve lucros de 48% em 2007; a matriz da Drake and Scull Emcor, 186%. Ante à perspectiva de uma nova lei que proíbe que os operários trabalhem nas horas de sol forte - a mais de 50 graus -, a companhia européia Jan de Nul, que participa do megaprojeto da Saadiyat Island em Abu Dhabi (com os arquitetos Frank Gehry, Jean Nouvel ou Norman Foster), pediu uma isenção "para terminar a obra de acordo com o cronograma, para o bem do turismo e de Abu Dhabi".

Tradução: Eloise De Vylder


Postado por Alma Collins às 08h00 AM
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Sobre a tristeza

A definição de tristeza é a falta de alegria. É o aspecto revelador de mágoa ou aflição, melancolia.

Isso geralmente se deve a fatos inesperados, ocorridos em tempo presente. Mas serão tão inesperados assim? Geralmente a tristeza nos acompanha com a morte de um ente querido ou amigo. Ficamos tristes por perder a companhia que tanto nos agradava. Sentimos imediatamente saudades de um futuro que não vai mais acontecer. Já sabemos que podemos “ir” depois de pessoas do nosso convívio, mas por quê, quando isso acontece, nos choca tanto?

A tristeza também impera quando um amor se desfaz. Mais uma vez perdemos alguém que estava ao nosso lado. Outro fator para se ficar triste é a traição não só de cônjuges, como também de amigos ou pessoas nas quais confiamos e que, agora, nos decepcionaram.

Outro fator preponderante é a não realização de sonhos. Muitas vezes, pretende-se muita coisa. Sonhamos com os mais variados fatos, mas nem sempre os sonhos se realizam. E, geralmente, esses sonhos envolvem também outras pessoas, direta ou indiretamente. Se sonhamos com uma viagem perfeita, todo o ambiente para tal tem que estar em harmonia, não só das pessoas que irão nos levar para essa viagem como, até mesmo, o tempo (se chove ou está frio ou está muito quente). Sonhamos também com um emprego que nos dê melhores condições, não só financeiras, mas também nos dê prazer em trabalhar. Sonhamos com o companheiro ou companheira ideal, que nos complete. E por aí vai...

Estes são só alguns exemplos de como a tristeza acontece quando não se realiza o que queremos.

Mas já perceberam que sempre que a tristeza vem, seja por que motivo for, ou sonhos desfeitos ou não realizados, ou afastamento de pessoas, etc. Ela sempre aparece pelo fato de dependermos de condições externas para sermos felizes. Já perceberam isso?

Sempre dependemos de algo ou de alguém para sermos felizes. Se isto não acontece, ficamos tristes. Vocês podem dizer: “isto é a vida em sociedade”. Sim, tem razão. Mas quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Quero dizer, o que vem primeiro? A necessidade de se estar acompanhado e expressar amor num sentido disfarçado de posse? Pois se perdeu uma pessoa ou se desfez um sonho, foi uma coisa sua que se afastou de você. Ou será que vem primeiro o que a sociedade nos impôs de que a melhor maneira de se viver e de se expressar amor é estar sempre em companhia de outras pessoas, ou depender de outras pessoas para sermos felizes?

Realmente não sei o que nasceu primeiro. Concordo que o convívio faz bem, principalmente quando encontramos pessoas que se identificam conosco. Mas acho que há uma grande distância entre ser feliz porque se está com essas pessoas e ser feliz porque se esta bem consigo mesmo, não encarando a perda, seja lá como for, como uma obrigatoriedade de sentir tristeza.
Podemos ser felizes com nós mesmos. Isso gera um prazer imenso que só faz bem, não só a você mesmo, como também às possíveis pessoas que estão em sua volta.

Na hora que a tristeza te abater, pense bem. Seja feliz com você mesmo em primeiro lugar. As perdas, nós já sabemos que fazem parte da vida. Nós sabemos que isso acontece com todos nós. Falta-nos somente interiorizar este conceito e aceitar de maneira realista que a dependência para a felicidade não deve ser, exclusivamente, a dependência de fatores externos.

A vida fica mais leve se “cairmos na real” de que perdas podem estar presentes em qualquer hora da nossa vida.

Fique feliz com você! Aquilo que é externo, conseguimos driblar fazendo força para por um sorriso no rosto e respirando bem fundo. Nosso corpo se enche de novo ar e ativa a ignição para seguirmos em frente sem depender tanto do exterior. E você vai ver que consegue ser feliz.

Alma Collins


Postado por Alma Collins às 10h56 PM
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Postado por Alma Collins às 08h02 AM
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Loja alemã escreve livros encomendados pelos clientes

 

Sergio Correa
De Berlim para a BBC Mundo

BBC BRASIL

 

Em uma pequena loja de Berlim, na Alemanha, é possível encomendar livros nos quais o cliente é o personagem principal.

O que você gostaria mais? Uma história de amor, de detetives, de ficção científica ou de aventura? E que tipo de personagem você gostaria de ser? Um cavalheiro, uma rainha ou um astronauta? Quem sabe uma bruxa ou um vilão? Pergunta Michael Wäser a seus clientes.

Wäser e sua equipe de escritores escrevem histórias feitas sob medida de acordo com os desejos dos clientes: o cenário, a época, o estilo, o tema, o número e a personalidade dos personagens, tudo pode ser sugerido ou determinado pela pessoa que faz a encomenda.

Para ajudar os clientes a escolher, Wäser mostra um catálogo. Nele, estão narrações já prontas em todos os gêneros imagináveis, nas quais apenas o nome do cliente como protagonista é mudado.

Esses livros custam US$ 25. Já os escritos completamente sob medida custam US$ 260.

A maioria dos clientes da loja de histórias, encomenda os livros para dar de presente.

Mulheres e homens pedem romances nos quais aparecem com seus companheiros em expedições remotas, resolvem juntos complicados enigmas policiais ou lutam pelo amor um do outro em cenários medievais.

Também já fizemos histórias para grupos de velhos amigos, que queriam dar a um deles uma aventura conjunta, diz Wäser.

Os clientes também podem escolher a capa, o tipo de papel e o tipo de letra usados. No futuro, poderão também encomendar ilustrações originais.

A loja de histórias também escreve livros para empresas, como uma clínica médica ou um hotel. Para hotéis, escrevemos histórias que acontecem no local, onde todo o pessoal desfila como protagonista em salas de conferência, bares, quartos e restaurantes do lugar, conta Wäser.

A loja também oferece relatos falados. São histórias narrados por locutores profissionais, com efeitos sonoros e que são entregues ao comprador em um CD, como se fosse uma radionovela, por cerca de US$ 570.

A idéias de Michael Wäser virou um sucesso. A loja emprega dez escritores e se transformou em uma pequena fábrica de fantasias.


Postado por Alma Collins às 08h16 AM
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ALÉM DA MATURIDADE

 

As folhas secas

Já não sugam a seiva

É velha raiz

 

Alma Collins

 


Postado por Alma Collins às 07h27 AM
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